Fim da trovoada…
Trovões medonhos de meter medo.
Clarões e raios de Estontecer.
Clarões e raios de Estontecer.
Chuvadas torrenciais
De aluvião.
Calçadas de granito desventradas.
De aluvião.
Calçadas de granito desventradas.
Telhados desfolhados ao vento
Em desvario.
Em desvario.
Árvores de grande porte,
Despedaçadas.
Despedaçadas.
Rios a correrem loucos
Pelas margens fora.
Pelas margens fora.
Nem santa bárbara.
Nem são jerónimo
Me valia.
Nem são jerónimo
Me valia.
Só uma terna ave-maria
Rezada
À Senhora da Esperança.
Me trouxe de novo
A paz e a esperança
Na manhã de cada dia.
Rezada
À Senhora da Esperança.
Me trouxe de novo
A paz e a esperança
Na manhã de cada dia.
De novo um céu azul.
Umas pequenas nuvens
Esbeltas quais bailarinas.
E uma doce neblina
Cobrindo a montanha.
Umas pequenas nuvens
Esbeltas quais bailarinas.
E uma doce neblina
Cobrindo a montanha.
É o que resta
Daquela ingente
E estranha trovoada…
Daquela ingente
E estranha trovoada…
Berlin, 18 de Novembro de 2014
9h53m
Joaquim Luís Mendes Gomes
9h53m
Joaquim Luís Mendes Gomes
O rio da história…
A história é um rio.
Longo.
Ninguém conhece onde ela nasce,
Muito menos onde é a foz.
Longo.
Ninguém conhece onde ela nasce,
Muito menos onde é a foz.
Tem cascatas. Cachoeiras.
Afluentes e confluentes.
Muitos meandros.
Ora largos.
Quase mares.
Ora estreitos.
Quase laços.
Afluentes e confluentes.
Muitos meandros.
Ora largos.
Quase mares.
Ora estreitos.
Quase laços.
Não tem margens.
Nem tem leito.
Ela banha todo o mundo.
Nem tem leito.
Ela banha todo o mundo.
Povoados.
Espaços ermos.
Florestas.
Por desertos.
Sempre a descer.
Não volta atrás.
Espaços ermos.
Florestas.
Por desertos.
Sempre a descer.
Não volta atrás.
Inundações.
Convulsões.
Muitas vagas.
Muita tormenta.
Convulsões.
Muitas vagas.
Muita tormenta.
Tem lezírias.
Planuras.
A perder de vista.
Muitas barragens.
Dinastias.
Histórias de sangue.
Muitas guerras.
Muitas derrotas.
Muita luz.
Muitas vitórias.
Planuras.
A perder de vista.
Muitas barragens.
Dinastias.
Histórias de sangue.
Muitas guerras.
Muitas derrotas.
Muita luz.
Muitas vitórias.
E qual o fim?
Só no fim,
Se irá saber…
Só no fim,
Se irá saber…
O termómetro continua a descer…
Berlim, 18 de Novembro de 2014
7h49m
Berlim, 18 de Novembro de 2014
7h49m
Joaquim Luís Mendes Gomes
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Tranquilidade das águas…
Gosto de sair à rua
E sentir minha alma calma.
Sem uma névoa ou sombra negra.
Tudo certinho.
E sentir minha alma calma.
Sem uma névoa ou sombra negra.
Tudo certinho.
De nada dever.
Nem pró corpo,
Nem para o ser.
Nem pró corpo,
Nem para o ser.
Sentir a paz
De quem não fez mal.
A ninguém ou a mim.
E o conforto
De quem ajudou.
Naquela hora exacta
Em que foi preciso.
De quem não fez mal.
A ninguém ou a mim.
E o conforto
De quem ajudou.
Naquela hora exacta
Em que foi preciso.
Sei que não sou anjo.
E sou de barro.
Mas se sanar meus erros,
Reparando a dor,
E pedir desculpa,
Posso caminhar de pé
E cabeça erguida.
Viver tranquilo
Amando a vida.
E sou de barro.
Mas se sanar meus erros,
Reparando a dor,
E pedir desculpa,
Posso caminhar de pé
E cabeça erguida.
Viver tranquilo
Amando a vida.
Berlin, 17 de Novembro de 2014
22h30m
Joaquim Luís Mendes Gomes
22h30m
Joaquim Luís Mendes Gomes
A derrocada…
Era uma parede grossa,
Toda em pedra.
Secular...
Que nasceu torta.
Inclinada.
Toda em pedra.
Secular...
Que nasceu torta.
Inclinada.
Que o computador engoliu.
Reluzem as cores
Das últimas folhas,
De tons amarelos
Que teimam em ficar.
Resistindo à morte.
Pelo chão, regeladas,
Dormem as outras
Que não conseguiram.
Há corvos cinzentos,
De bico comprido,
Picando os vermes.
Pelos passeios,
Fumegam narinas,
De corpos opacos.
Reluzem-lhes os olhos,
Nas covas do rosto.
Só os narizes,
Sem vestes,
Arrostam vermelhos,
O frio gelado.
Bicicletas a pedal,
Traçam caminho,
Pelo meio das folhas.
E as mãos enluvadas,
Agarram os braços
Fazendo força aos pedais.
Cá dentro, no bar,
Sentados à mesa,
Há gente madura
Que queima seu ócio
E toma café.
Enquanto eu repito
A terceira versão
Deste amanhecer luminoso.
Oxalá seja, de vez…
Berlin, 17 de Novembro de 2014
17h5m
( já no quentinho de casa…)
Joaquim Luís Mendes Gomes
Amanheceu luminoso…
Pela terceira vez eu escrevo
Que amanheceu luminoso.
E fiz duas versões,...
Ver maisQue amanheceu luminoso.
E fiz duas versões,...
Já não posso mais…
Há um momento em que tudo rebenta.
Nossa força finita
Se acaba.
Se ninguém a alimenta.
Nossa força finita
Se acaba.
Se ninguém a alimenta.
Abandona o corpo e a alma
E tudo se estatela no chão.
E tudo se estatela no chão.
Que adianta a avareza
De ter ou ganhar
Este mundo e o outro.
Se na hora do fim
Tudo cá fica…
De ter ou ganhar
Este mundo e o outro.
Se na hora do fim
Tudo cá fica…
Sossega teu corpo.
Trata-o bem.
Trata-o bem.
Não esqueças que o alimento da alma
Está no bem que tu fazes.
Está no bem que tu fazes.
E se ela está bem,
Tudo sorri.
À volta de ti.
Tudo sorri.
À volta de ti.
Enche teu peito...
Sorri.
Sorri.
Beija e abraça quem passa.
Quem vai ou quem vem.
E te estende a mão de irmão.
Quem vai ou quem vem.
E te estende a mão de irmão.
Ninguém é tão forte
Ou tão rico
Que nunca precise de ajuda.
Mesmo dum pobre
Ou dum fraco.
Quando menos se espera…
Ou tão rico
Que nunca precise de ajuda.
Mesmo dum pobre
Ou dum fraco.
Quando menos se espera…
Berlim, 17 de Novembro de 2014,
1h13m
Joaquim Luís Mendes Gomes
1h13m
Joaquim Luís Mendes Gomes

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