domingo, 4 de março de 2018

Anda e revoa...

Anda e revoa…

Anda e revoa meu pensamento à toa.
Passa e negaça como folha fugindo.
Fere e arremessa uma pedra caindo.
Passos passados que não voltam jamais.
Horas esquecidas nem as desejo ao diabo.

Fases da vida que passam por todos.
Umas de sonho, outras tão negras.
Uma vida sem dor não dá para lembrar.
São sempre os de longe que mais se lembram de nós.
Quem tudo gastou não tem para dar.
Só chora a morte quem a vida amou…
Berlim, 4 de Março de 2018
16h33m
Jlmg

sábado, 3 de março de 2018

De vez em quando...

De vez em quando...

De vez em quando, faz-se o silêncio.
Tudo parou. Nada se alcança ou pressente.
Não é o ócio. É a ausência. A falta de tema ou de asas.
É um sufoco. Apetece dormir e sonhar.

O que será que comanda?
É tanta a vontade cá dentro.
A mente bosqueja, não pára.
Como núvem que corre e que passa.
E tanto demora.
A esperança e certeza que havia, quase definham.
Confio. Não foi a primeira.
Agarro meus braços ao tronco da árvore.
Finco meus pés e trepo.
O chão distancia.
Cada vez a copa mais perto.
Alcanço a distância ao longe.
Me sinto mais leve, quase pairando.
Bate-me o sol.
Encho meu peito.
Pégo na pena. É a hora.
O pesadelo passou.
A chama acendeu.
Ilumina e aquece...
Berlim, 3 de Fevereiro de 2018
16h30m
Jlmg

Até os cavalos...





Até os cavalos…

Até os cavalos gostam de flores.
Lhes brilham os olhos.
Reluzem-lhes as crinas.
Dançam as caudas.
E, às tantas, correm a trote.

Brincam com elas.
Parecem gaiatos,
Gamos à solta.
Cavalgam encostas.
Velas ao alto,
Barquinhos à vela.

Quem me dera ser rei.
Num reino de fadas.
Um bosque de sonho.
Um lago de cisnes.
Muitos cavalos.
Corria com eles.
Só tinha jardins.
Não queria castelos.

Berlim, 3 de Fevereiro de 2018
9h2m
Jlmg




sexta-feira, 2 de março de 2018

As regras...



As regras…

Apontam condutas.
Impõem deveres.
Ordenam o mundo.
Trazem a paz.

Reúnem as forças.
Remos dos braços.
Sulcam as águas.
Cortam as ondas.
Alcançam os fins.

Marcam o ritmo.
Abrem caminho.
Boas sementes,
Garantem bons frutos.
Nem demais nem de menos.
Sem elas o mundo
Se transforma num caos…

Berlim, 3 de Fevereiro de 2018
7h58m
Jlmg

Moinho de vento...

Moinho de vento
Moro no topo do monte.
Perto das nuvens,
Vizinho do céu.
Me alimento do vento.
Brinco com ele.
Solto-lhe as asas.
Dou tantas voltas.
Fica sem norte.
Puxo a mó.
Moo o centeio.
Farinha tão branca,
Como a neve que cai.
Às vezes, eu choro,
Sozinho e sem vento.
Muitas, eu canto.
Feliz de contente.
Nasci um moinho,
Sou filho do vento.
Nada mais sei.
Bendigo a sorte
De morar onde moro
E ser o que sou…
Berlim, 2 de Março de 2018
19h44m
Jlmg

De bradar ao vento...



De bradar ao vento…

Telhados estilhaçados.
Árvores caídas.
Barcos parados, nas docas e portos,
Arrastados, perdidos, se calhar para sempre, na fúria do mar.

De repente.
Um tufão endiabrado,
engatilhado nas nuvens e preso ao mar, irrompeu em vertigem,
um diabo do inferno,
levando tudo à sua frente.

Os molhes de pedra não resistem.
Vão-se as cadeiras e mesas dos restaurantes.
As casas mais atrevidas pagam caro a ousadia.
Com o mar ninguém se meta.

Pode ser fatal uma fotografia
Ou um passeio à beira-mar.
Quem diria!
Mais um modo de acabar os dias.
Assim vai o meu país…

Berlim, 2 de Março de 2018
9h11m
Jlmg





quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Devasso minha alma...

Devasso minha alma...
Devasso minha alma aos raios luminosos deste sol nascente
E mergulho na profundidade da beleza.
Oiço Chopin na sua majestade sublime.
Abro todas as janelas, apesar do frio.
Entre a paz e a mansidão nas ondas deste mar de luz.
Desfraldo ao vento minhas asas e me baloiço como ave que despertou para a liberdade.
Minhas preces se elevam em oração aos céus.
Meu corpo fica etéreo como uma pena ao vento.
Avanço e brinco a dança das quimeras e da concórdia,
atrás das notas dum piano a arder.
Quem me dera saber cantar solfejos de oiro e diamante como retinem harmónicas as suas cordas tão vibrantes.
É luminoso este sol que faísca os olhos.
Meu peito quente arfa de consolação.
É o mês de Março que nasce da alvorada, anunciando a suave Primavera.
Pelos telhados brancos e copas nuas, cintilam os matizes que dormiam em invernosa sonolência. 
Enquanto o piano como um gamo à solta, corre atónito pela encosta verde.
Bendito o sol que tudo alegra...
ouvindo Concerto nº 1 de Chopin, com Marta Argerix
Berlim, 1 de Março de 2018
7h51m
Jlmg