sexta-feira, 2 de março de 2018

As regras...



As regras…

Apontam condutas.
Impõem deveres.
Ordenam o mundo.
Trazem a paz.

Reúnem as forças.
Remos dos braços.
Sulcam as águas.
Cortam as ondas.
Alcançam os fins.

Marcam o ritmo.
Abrem caminho.
Boas sementes,
Garantem bons frutos.
Nem demais nem de menos.
Sem elas o mundo
Se transforma num caos…

Berlim, 3 de Fevereiro de 2018
7h58m
Jlmg

Moinho de vento...

Moinho de vento
Moro no topo do monte.
Perto das nuvens,
Vizinho do céu.
Me alimento do vento.
Brinco com ele.
Solto-lhe as asas.
Dou tantas voltas.
Fica sem norte.
Puxo a mó.
Moo o centeio.
Farinha tão branca,
Como a neve que cai.
Às vezes, eu choro,
Sozinho e sem vento.
Muitas, eu canto.
Feliz de contente.
Nasci um moinho,
Sou filho do vento.
Nada mais sei.
Bendigo a sorte
De morar onde moro
E ser o que sou…
Berlim, 2 de Março de 2018
19h44m
Jlmg

De bradar ao vento...



De bradar ao vento…

Telhados estilhaçados.
Árvores caídas.
Barcos parados, nas docas e portos,
Arrastados, perdidos, se calhar para sempre, na fúria do mar.

De repente.
Um tufão endiabrado,
engatilhado nas nuvens e preso ao mar, irrompeu em vertigem,
um diabo do inferno,
levando tudo à sua frente.

Os molhes de pedra não resistem.
Vão-se as cadeiras e mesas dos restaurantes.
As casas mais atrevidas pagam caro a ousadia.
Com o mar ninguém se meta.

Pode ser fatal uma fotografia
Ou um passeio à beira-mar.
Quem diria!
Mais um modo de acabar os dias.
Assim vai o meu país…

Berlim, 2 de Março de 2018
9h11m
Jlmg





quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Devasso minha alma...

Devasso minha alma...
Devasso minha alma aos raios luminosos deste sol nascente
E mergulho na profundidade da beleza.
Oiço Chopin na sua majestade sublime.
Abro todas as janelas, apesar do frio.
Entre a paz e a mansidão nas ondas deste mar de luz.
Desfraldo ao vento minhas asas e me baloiço como ave que despertou para a liberdade.
Minhas preces se elevam em oração aos céus.
Meu corpo fica etéreo como uma pena ao vento.
Avanço e brinco a dança das quimeras e da concórdia,
atrás das notas dum piano a arder.
Quem me dera saber cantar solfejos de oiro e diamante como retinem harmónicas as suas cordas tão vibrantes.
É luminoso este sol que faísca os olhos.
Meu peito quente arfa de consolação.
É o mês de Março que nasce da alvorada, anunciando a suave Primavera.
Pelos telhados brancos e copas nuas, cintilam os matizes que dormiam em invernosa sonolência. 
Enquanto o piano como um gamo à solta, corre atónito pela encosta verde.
Bendito o sol que tudo alegra...
ouvindo Concerto nº 1 de Chopin, com Marta Argerix
Berlim, 1 de Março de 2018
7h51m
Jlmg

O meu arado...



O meu arado…

Lavro a terra nua com a força de lavrador.
Sei que virá depressa a recompensa.
Nunca ficou a terra nada a dever.
Nada cobra.
Quem dela espera tudo tem.

Só ela sabe como fazer.
Generosa.
Responde a cem por um.
Cada semente tem o seu tempo.

Nada de adubos.
Só sol e chuva.
O resto é muito,
Mas ela tem.

É sempre bom o que ela cria.
Não olha a rótulos.
Não estudou químicas.
Sem confusões,
Bendita mestra,
Tudo faz na proporção.

Só lhe dou o arado…


Berlim, 28 de Fevereiro de 2018
13h12m
Jlmg