segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O esplendor dos dias...

O esplendor dos dias…
Cada manhã, pela minha janela, assisto ao nascer do dia.
É escura a noite quando me assento à secretária.
Muito lentamente, se vai desvanecendo o escuro.
Surge do fundo um onda ténue de luz que vai vencendo a noite. 
Depressa o céu se cobre dum manto azul, a partir da franja amarela, a despontar da terra.
Ponteagudos esparzem raios de sol pelo céu acima.
Mais largo e fogoso que um foguetão para a lua.
Os pássaros fazem coros saudando o novo dia.
Agitam-se nas ruas as pessoas que vão para o trabalho.
Pelos passeios. De carro e transportes públicos.
Das chaminés saem volutas de fumo branco dos aquecimentos, indispensáveis aos graus negativos.
Enquanto isso, abro os jornais do dia com as derradeiras novidades mundiais e do meu país. 
Desse turbilhão espumoso, eivado de segundas intenções, extraio só o lastro da realidade.
Depois, mergulho no meu horizonte, ao sabor da brisa que me adoça a existência.
Berlim, 6 de Fevereiro de 2018
8h3m
Jlmg

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Difícil perceber o mundo...



É tão difícil perceber o mundo…

Passam tantas núvens diante de nossos olhos, pelo céu fora.
Tantas crenças. Filosofias.
Diversas interpretações da história.

Tantos caminhos se cruzam por esse espaço.
Tantas vozes contrárias.

Apregoando o bem que, afinal, é mal.
Não há recanto onde o sossego exista.
Cada era tem sua bandeira.
Varia de cor conforme a luz.

A certeza emigrou da terra.
Medidas certas são relativas.
O certo é o que convém na hora.
Para quê lutar se a morte é certa?
Onde a cura com a receita certa?...

Berlim, 5 de Fevereiro de 2018
8h23m
Jlmg


Oferecer um bom livro

Oferecer um bom livro
Forma à mão de semear
E recolher bons frutos.
Pode ser:
Uma súmula ilustrada das melhores histórias bíblicas.
A biografia dum santo, dum igual a nós.
É o caminho certo para se fazer alguém.
Na orientação do bem.
Na exclusão do fútil
E abolição do mal.
Comprar um para oferecer a um jovem
Ou pô-lo lá em casa ao alcance dos filhos.
Oferecer um bom livro
Ajuda a ser o melhor que pudermos.
Se lucra e lucra o mundo…
Berlim, 4 de Fevereiro de 2018
11h51m
Jlmg

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Quem pense em nós...

Ter quem pense em nós…
Ter quem, perto ou longe,
Pense em nós,
Se preocupe connosco,
É caminhar de dia ao sol.
Ver as cores do mar e céu.
Sentir sabor e o perfume que a terra exala.
Afastar o preço amargo da solidão.
Ter alguém para quem vá nosso pensamento nas horas mais sofridas.
Receber, de vez em quando, umas letras pelo correio, dos ctt ou digital.
Alguém que, um dia, se cruzou no nosso caminho e nos deixou marcado.
Com gestos de amizade.
Nos fez sorrir ou aliviou o fardo de cada momento,
No resvalar dos dias.
É ser rico, mesmo que o dinheiro falte no nosso bolso.
Um amigo que nos visite na cama dum hospital, ou, sei lá, na cela duma prisão.
Quem reze uma Avé Maria pela nossa alma…
Ouvindo Ernest Cortazar – “Best of…” piano e orquestra
Berlim, 4 de Fevereiro de Fevereiro de 2018
8h1m
Jlmg

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Camisola da vitória

Camisola da vitória
Quem não gosta de vestir a camisola da vitória?
Sentir na alma a alegria jovem do triunfo.
Erguer uma taça na hora de chegar à meta.
Ouvir as palmas duma assembleia rendida à verdade e encanto de nossas palavras.
É humano.
Tudo bem e certo se não nos apropriarmos da gesta dos seus frutos.
Como se fossem apenas nossos e brotassem de nossas forças.
Nosso mérito estará só na docilidade de nossa atitude.
Da resposta que dermos ao apelo oculto da natureza para manifestarmos o que é belo e admirável.
Guardemos para nós sómente a posse da camisola.
Larguemos ao vento o brilho do seu esplendor...
Berlim, 3 de Fevereiro de 2018
8h21m
Jlmg

Uma moeda preta

Moeda preta
Estou no bar. Quero um café.
Vou ao bolso. 
Nem uma só moeda preta.
Que engrenagem esta.
O carburante que a faz girar.
Já não há fiado.
É tudo a pronto.
Apontar no livro.
Já passou à história.
Para tudo é preciso a nota.
Nem que venha de esmola.
Ou do tráfico negro.
O que é preciso é o metal.
A tilintar na mão.
Se não fosse a mulher,
Não haveria café
ou iria ao banco...
Bar dos motocas, 2 de Fevereiro de 2018
11h23m
Jlmg

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O segundo sentido

O segundo sentido...

Na penumbra das palavras ditas,
Por baixo dum piscar de olhos
ou um esgar de rosto,
mora o outro sentido da linguagem.

Subtil se expõe com seu fio cortante.
Diz mais que a fala.
Perpassa a mente como a vidraça a luz.

Realça o escuro e amortece a aparência do que, de facto, não é.
Vem de outra fonte.
Só a mente lê.

Completa o todo que a palavra não diz.
Dá sabor e cor ao que parecia não ter.

Bar dos Motocas, 1 de Fevereiro de 2018
10h50m
Jlmg