sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Aos ziguezagues



Em zigue-zague…

Minha vida foi um ziguezague.
Montanha russa.
Muitas vezes, tormenta.
Muitas, bonança.
Alegre e triste.
Clara e escura.

Horas ricas e muitas pobres.

Foi sempre em marcha.
Sem perder tempo.
Algumas vitórias.
Muitas derrotas.
Apesar de tudo, o saldo é bom.

De muita coisa me arrependo.
Outras, muitas, faria igual.

Não foi banal.
Tirei meu curso, a conta-gotas.
Trabalhando ao lado.
Ajudei os dos filhos.
E dois doutoramentos.
Desisti do CEJ, não era a minha praia.
Voltei às leis a servir os outros.

Troquei de carro, como foi possível.
Pratiquei campismo e recomendo.

Agora descanso.
Sou emigrante à força.
Nunca esperei.
Perto dos netos.
Ajudando o barco.
O mar está bravo.
O Senhor vai dentro…

Berlim, 27 de Janeiro de 2018
8h13 m
Jlmg

Que diria Camões?...

Que diria Luís de Camões se voltasse de novo ao seu país que tão bem cantou, ao ver:



uma Justiça que só castiga os fracos e pobres e isenta os ricos e poderosos;

uma Assembleia de deputados onde a maior parte se senta lá para traficar influências e gordos negócios;

a maior parte dos Governos delapidou o erário público em favor próprio e da banca podre;

as presidências da república que foram, no mínimo, abúlicas ou notoriamente, coniventes;

umas forças armadas que permitem assaltos aos paióis da segurança pública, sem identificarem os responsáveis;

a maior parte da população capaz teve de emigrar para todo o mundo, para sobreviver à fome;

as universidades formam doutores para dar de mão beijada aos outros países:

os hospitais não conseguem atender os doentes com falta de meios;

um país encharcado de parcerias público privadas, PPPs, a extorquirem lucros fabulosos para o bolso de ex-governantes que as engendraram;

uma rede de autoestradas que não servem para nada, porque se cobra excessivamente caras portagens;
um país enfeudado a uma falsa União Europeia que só olha para os países ricos, regida por uma casta de agentes que auferem ordenados e privilègios escandalosos.

Que diria Camões?...

Viver sem sol

Viver sem sol
Quem nasceu no sul onde o sol é rei,
e tem de viver na bruma de cinza e fria onde é rainha, já ganhou o céu sem mais sofrer.
Natureza nua. A tremer gelada.
Árvores sem folhas a definhar no chão.
Até a neve eterna se raspou de cá.
Quem me dera o sul a sorrir ao sol.
Que mal fiz eu à sorte que me reteve aqui.
Queria a liberdade de poder voltar.
Minha terra amada, mesmo ao pé do mar...
Berlim, bar do Edeka,
26 de Janeiro de 2018
11h39m
Jlmg

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A fantasia



A fantasia

Abençoada a fantasia que nos pinta tudo cor de rosa.
Torna mais leve e doce o pão nosso do viver.
Nos traz élain vital até à hora do morrer.

Abunde sempre no nosso olhar como um mar sem fim, azul e infinito.
É bom sonhar com a paz e o amor universal.

A alegria vem de alcançar o que se vai ganhando, sem ficar nada a dever.

Se sou quem sou, só o devo ao sonho e à fantasia de ser melhor em cada dia.

Ouvindo Anne Sophie Mutter- Mozart

Manhã de cinza e molhada

Berlim, 26 de Janeiro de 2018
8h52m
Jlmg


Pelos espaços siderais



Pelos espaços siderais

Sempre mais e melhor. A raiz do movimento, riqueza e prosperidade.
Almejar os confins do tempo e espaços siderais,
Em tudo o que façamos, a perfeição seja o limite.
A satisfação de fazer bem e certo, em tudo e sem olhar a quem,
Seja a paga do nosso esforço.

O egoísmo calculista é a raiz do mal que se espalha e nunca mais pára de crescer.

A paz e ordem no viver brotam da perfeição do nosso agir de cada passo.

Ouvindo Énio Murricone
Berlim, 26 de Janeiro de 2018
8h19m
Jlmg