segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Arma secreta

Arma secreta
Bem dentro de nós há uma arma escondida.
Só nós temos a chave dela.
É de vida. Não é mortal.
Vence sempre que é apontada.
Acerta fundo. Converte em vida a morte.
Derrete o gelo. Aquece a alma.
Estende e abraça a mão.
Se renova quanto mais uso.
Desfaz as névoas e ilumina o chão.
Tem a marca da divindade.
É a mãe da amizade.
O seu nome é simpatia…
Berlim, 23 de Janeiro de 2018
7h50m – manhã de cinza, molhada e fria
Jlmg

Relógio de cuco

O relógio de cuco
Canta às horas.
Na parede do bar.
Casinha em madeira,
com varanda e jardim,
às horas certinho,
se abre a janela,
o cuco lampeiro
aparece e canta.
Toques suaves. Alegres.
Pintados às cores.
Castelo no bosque.
Onde páram motocas.
E "portugas" às vezes.
Que horas tão doces.
Passadas aqui.
A calma serena.
De mesas abastadas.
Onde os alemães, 
velhos e novos,
se regalam felizes.
Pagam ao Estado,
mas vivem tranquilos.
Com cor e sabor,
o ócio da vida.
Bar dos motocas, Berlim,
22 de Janeiro de 2018
11h10m
Jlmg

Horas seráficas



Bem do fundo de mim

Irrompem de mim, nas horas de silêncio, eflúvios de letras e sons, numa sequência sem fim, pintando quadros em poemas de amor.

Fonte sem fim me abastece e sedenta.
É fresca e pura sua água silvestre.
Lençol profundo que a terra filtra e a chuva abastece.

Doce recanto de sonho. Duendes e fadas.
Um baile constante.
Um limbo de sons. Cadências breves de beleza infinita.
Horas seráficas que somam o tempo.

Ouvindo Offenbach

Berlim, 22 de Janeiro de 2018
9h22m
Jlmg

domingo, 21 de janeiro de 2018

Escada de pedra



Escada de pedra

Nua, vetusta é a pedra da escada que dava à muralha.
Por ela corriam com pressa os guardas defensores do castelo
Nas horas de ataque.

Depois, em repouso, dormia presa à grade.

E, nas horas serenas da tarde, era da corte a passagem.
O rei, a rainha,
os príncipes infantes e as damas de honor,
Vestidos de seda, iam ao topo, à torre de menagem, e ficam ali horas, brincando, mirando ao longe, à espera das estrelas da noite.
Era assim a liberdade e a riqueza de suas altezas reais.

Berlim, 22 de Janeiro de 2018
8h28m
Jlmg







A cor dos castelos



A cor dos castelos

Crestados ao sol, regados de chuva, secos ao vento, no alto dos montes, cercados de nuvens.
Repasto de musgos e heras crescentes.
Resistiram ao tempo.

Serviram de abrigo das setas e balas de pedra.
Da classes fidalgas e gentes da terra.
Só tinham uma porta. Aldraba de ferro.
Uma ponte ligeira, sobre o fosso à volta.

Os de dentro e os de fora, todos se foram.
Só os castelos, encimados de ameias,
ficaram de pé.
Atestando o passado com as cores do presente.
Das heras já secas e musgos castanhos Que o tempo renova.


Berlim, 21 de Janeiro de 2018
16h29m
Jlmg