terça-feira, 28 de novembro de 2017

O encntro dos espíritos...



O encontro dos espíritos…

O espírito da voz humana, atormentada, se inebriou da beleza melodiosa doce dum violoncelo.

Ambos se enlaçaram na mais bela melodia.
Rodopiaram. Tão unidos.
Evoluções. Circunvoluções.
Tanta magia.
De encantar os céus.

Se debruçaram nas varandas para ouvir. Inebriados.
Queriam ficar ali p’ra sempre…

Ouvindo All By Myself

Berlim, 28 de Novembro de 2017
16h11m
Jlmg  

A alma gela...o corpo dói...

A alma gela...o corpo dói...
Meu corpo arrefece...
Lancinantes as imagens que meus olhos fitam.
Lúgubres momentos de desumanidade.
Quando a baixeza do baixo instinto
dizimou irmãos, com as mãos de sangue.
Não foi distante. Esses anos macabros.
Cobriram de dor o mundo.
Ainda hoje dói de vê-las.
Os contrastes enigmáticos do género humano.
Capaz de chegar à lua
e descer ao charco feroz da ignomínia.
Se repetem pelos tempos que decorreram.
Com requintes de perversidade.
Genocídios. Metralha arrasadora.
Pela vil ganância do metal.
Quem os fomenta são só os poderosos, tal é o medo da sua fraqueza.
Meu corpo gela. Minha alma dói...
ouvindo música da Lista de Schindler
Bar dos Motocas, 28 de Novembro de 2017
10h31m
Jlmg

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Feira das ideias...



Feira das ideias…

Fui à feira das ideias.
Ouvi dizer. Havia muitas, perdidas.
Seu destino marcado era o lixo.

No meio dum vale batido de sol,
Elas brilhavam ao vento, sedentas.
Bailavam no ar clamando um dono
Que as quisesse levar.

Fiz um braçado viçoso.
Enchi uma saca das mais preciosas.
Eram jóias de sábios, poetas, pintores.
Até de pastores.
Morreram. Ninguém lhes ligou.
Chegado a casa, enchi as paredes.
Quadros e frases, de assombro.
Verdades singelas.

Enchi meus baús.
Chaves de enigmas, segredos,
Selados a ouro.

Recorro a elas, quando a bruma me encerra, toldando o céu.

São meu baluarte.
Bandeiras que agito.
Fermento de pão.
Alimento da alma e do corpo…

Berlim, 28 de Novembro de 2017,
7h46m
Amanheceu com chuva
Jlmg









Do come e cala...



Do come e cala…

Aqui não é o lugar da treta.
Nem sequer o da gente morta.
Se trabalha, de manhã à sesta.
Descansar, só p’ra quem trabalha.

Faz bem o que tens para fazer.
Porque mal, há muito quem.
Mais vale quieto que a trocar as mãos.
É melhor receber mais tarde do que nunca mais.

A fome e a sede se matam e é bom que sempre voltem.
A esperança aumenta quando é pouca a fé.
A desgraça nunca vem só. A seguir vem a bonança.

Quanto mais se tem mais se tem para ficar.
Com a idade se perde a vista mas é quando se vê melhor…

Berlim, 27 de Novembro de2017
14h41m
Jlmg