segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Do come e cala...



Do come e cala…

Aqui não é o lugar da treta.
Nem sequer o da gente morta.
Se trabalha, de manhã à sesta.
Descansar, só p’ra quem trabalha.

Faz bem o que tens para fazer.
Porque mal, há muito quem.
Mais vale quieto que a trocar as mãos.
É melhor receber mais tarde do que nunca mais.

A fome e a sede se matam e é bom que sempre voltem.
A esperança aumenta quando é pouca a fé.
A desgraça nunca vem só. A seguir vem a bonança.

Quanto mais se tem mais se tem para ficar.
Com a idade se perde a vista mas é quando se vê melhor…

Berlim, 27 de Novembro de2017
14h41m
Jlmg




domingo, 26 de novembro de 2017

Nós e o espaço...

Nós e o espaço…
Não pairamos sós no indefinido.
Temos peso e somos leves.
Não somos plantas presos ao chão pelas raízes.
Temos o dom de andar.
Percorrer à volta à medida possível das possibilidades.
Temos de andar se queremos o pão de cada hora.
Parar só o tempo justo.
O espírito aberto dá-nos asas.
Multiplica nossa expansão até à barreira do infinito.
Servimo-nos da riqueza sem sermos por ela subjugados.
Podemos crescer sem fim, sem roubar o espaço de ninguém.
Fomos feitos para vencer.
Mesmo que, às vezes, venha a vontade de desistir.
Ninguém chegou ao fim sem alguma vez ter caído ao chão.
O suor e a dor fazem parte do caminho certo.
Nunca apague a nossa esperança…
Berlim, escura a despertar, 27 de Novembro de 2017
6h54m
Jlmg

Me contento com pouco...



Me contento com pouco…

O muito me atrapalha.
Se chega, basta-me o pouco.
Em tudo, a medida justa.

A gordura enjoa e é malévola.
O açúcar tira o gosto do café.
Cansa ouvir a mesma coisa.
A ociosidade desperdiça o tempo.
Gera o parasitismo
E arrasta o vício.

O exercício físico habitual
Fortalece a agilidade
E faz leve o pesado.
Passar os dias a pensar no mesmo
Extingue o sabor da vida e gera a tristeza.

Sentir saudade é o sinal certo
de que se amou alguém…

Berlim, 26 de Novembro de 2017
21h46m
Jlmg





A hora marcada...



A hora marcada…

A espera, depois da hora marcada, desespera o mais paciente.
Ninguém se dá bem com a incerteza.
Do vem não vem.
Do será ou não será.
Há imprevistos de toda a ordem.
Tão frequentes.

E, há dias em que nada dá certo.
Se adorna o café com leite, na toalha branca.
Se esquece o leite no fervedor.
Se bate a porta, a chave lá dentro.
E, tantos mais.

Há revoadas. Que ninguém explica.
No mesmo dia em lugar diferente,
Há nomes famosos, no melhor da vida, que se vão para sempre.

Este ano houve tantos e fizeram mossa…

Berlim, 26 de Novembro de 2017
21h6m
Jlmg