sábado, 25 de novembro de 2017

Meditação...



Meditação…

É preciso parar. Cerrar os olhos.
Guardar silêncio.
Com pouca luz,
Para ver melhor.
Ouvir profundo.
Saber pensar.
Saborear as cores e os tons dos seres.

Sentir o tempo.
Rio profundo a fluir constante.
O que ele quer.
O que ele traz.
Colher os frutos que houver maduros.
Adoçar o sabor que o amargo faz.
Sarar a dor que a saudade causa.
Sacudir o pó das prateleiras.
Folhear os livros da sabedoria.
Erguer as mãos a Deus em oração.
Encher de graça a consciência.

Só depois erguer e recomeçar de novo para viver melhor…

Berlim, 26 de Novembro de 2017
5h13m
Jlmg



Emigração da terra...

Emigração da terra…
Uma violeta solitária,
Perdida na planície, 
Tão triste se sentia,
Bateu as pétalas
E, como ave esbelta,
Voou pelo céu arriba.
Ela via longe e lá no alto,
Uma manta de estrelas acesas,
Como deveria estar alegres,
De tão juntas.
Apareceu o sol.
Primeiro luz, depois calor.
E, logo, secaram suas raízes.
Uma a uma, murcharam as pétalas.
Só restou o caule.
Voltar à terra,
Botar raízes,
Fosse qual fosse
O seu lugar,
E retomar a vida,
Se lhe impôs fazer.
Cada um tem o seu destino!...
Berlim, 25 de Novembro de 2017
17h33m
Jlmg

Pelas alturas...



Pelas alturas…

Abandonei os trilhos ínvios da terra negra, por onde só transitam fantasmas velhos.
Alcandorei-me às alturas mediáticas da fama bela.

Serenei meus ímpetos na suavidade atenta dos olhares famintos.

Revigorei meu ânimo exausto das canseiras tristes do dia-a-dia.

Fico planando na plenitude infinda do universo como uma ave leve de asas largas.

Invadem-me ondas de remota origem ignota.
Minha alma vibra, exalando os versos que o sol lhe dita.

Se calhar, irei ficar por cá. Enquanto meu estro arder, mesmo em lume brando.

Mais vale o pleno mesmo em pouco tempo que a fartura abundante sem qualquer sabor…

Ouvindo Rachmaninov, concerto nº 3, por Martha Argerich

Berlim, 25 de Novembro de 2017
15h7m
Jlmg

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Os códigos...



Os códigos…

Pode ser o da estrada ou o da lida de casa.
O das boas condutas ou o das boas viagens.
O das leis e das penas para os actos e crimes.

O que importa é que estejam na hora.
Facilitam condutas. Garantem certeza.
Alicerçam a ordem e geram a paz.

Quem os não segue anda à deriva, à sorte do erro.
No ganha e no perde.
Não sabe se vai ou se fica.

Andar com certeza acrescenta valor e o valor acumula riqueza.
O tempo é dinheiro. A perdê-lo, depressa, fica-se pobre.
O tempo que passa não volta…

Ouvindo o concerto nº 2 de Rachmaninov, por Hélène Grimaud ao piano

Berlim, 25 de Novembro de 2017
6h56m
Jlmg



quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Cacos artefactos...



Cacos e artefactos…

De cacos e artefactos,
Odres vazios de barro,
Moído, deslavado,
Se enche esta vida, se lhe faltar a  luz potente do sol.
A esperança e a firme certeza de que nossa base é a Fé.
Num Ser que dá razão de ser a tudo.
Tudo explica sem manuais. Desde o raiar do berço ao momento final.

Tudo é efémero. Caduco.
A riqueza está na simplicidade e na transparência. ´
A água cristalina dum lago fica baça e repelente, sem a respiração do vento e o renovar da chuva qua cai do céu.

Bendita a brisa da manhã que nos vivifica a mente para mais um dia…

Ouvindo Clayderman inesgotável de beleza musical

Berlim, 24 de Novembro de 2017
5h51m
Jlmg


Pouco que dar...

Pouco que dar…
Tenho pouco para dar.
Mas é com satisfação que dou o que dou.
O que recebo é dado.
Tiro para mim o que chegue
E o resto reparto.
Ponho ao dispor de que vem ou que passa.
Um copo de vinho.
Saído da pipa.
Azeitonas com pão 
Há sempre na arca.
Bebo do sol a luz que me falta.
Apanho a brisa que sobra do mar.
Ando descalço,
As pedras me adoram.
Corro e descanso na sombra do bosque.
Não alardeio à varanda
A riqueza que guardo.
Poupo de Inverno e saboreio o Verão…
Ouvindo Paco de Lucia
Berlim, 23 de Novembro de 2017
17h24m
Jlmg
Foto de Gomos de Amor.