sábado, 7 de outubro de 2017

Levitação das pedras

Levitação das pedras

Se calem as armas deste mundo em chamas.
Sequem as fontes do reino do mal.
Chovam dos céus rios de paz.
...
Se escancarem as janelas e portas
Aos ventos do bem.
Subam oferendas carregadas de oiro.
Sejam o tributo da vitória final.
Semeie-se abraços pelos montes e vales.
Regue-se as mesas de canadas de vinho.
Se calem os obuses e levitem as pedras.
Que este mundo perdido se volte para Deus que é o seu porto seguro…
Ouvindo o tema da “Missão”
Berlim, 7 de Outubro de 2017
18h11m
Jlmg

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Oração ao mar



Oração ao mar…

À minha frente um mar imenso.
Sopram forte os ventos agrestes.
Há perigo no mar ao longe.
Se cobriu de negro o horizonte.
Ameaçando tempestade.

Foi-se embora de repente a bonança azul.
Soltam-se as amarras deste barco leve.
À deriva, ficará para sempre.
Chova abundante a clemência do céu.
Se apazigue de vez, este mar em fúria.

Volte a ser uma seara verde.
Que a emoção suave inunde o mundo exangue.
Floresça a esperança. Retorne a paz.

Ouvindo San Francisco na voz de Scott Mckenzie

Berlim, 7 de Outubro de 2017
8h18m
Jlmg


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Não tratem mal as andorinhas

Não tratem mal as andorinhas…
Só têm asas e um voo tão leve.
Não têm telhas. Buscam os lares.
Voam de longe, na primavera.
São emigrantes.
Passam a vida num vaivém constante.
Embelezam os ares com os seus voos.
E voam rasteiras. Não têm medo.
Andam no chão.
Levantam-se cedo. Logo a bailar.
Rondam as casas. Bordejam caminhos.
Junto às escolas. Alegram meninos.
Soltam chilreios. Aves canoras.
Semeiam alegria. Sabem as horas.
Lá pela tardinha, ouve-se as noras.
Tocam os sinos. São as trindades.
E as andorinhas, perto do céu,
Voam rezando.
- Avé-Maria, Mãe do Senhor,
Bênção de Deus!
Berlim, 5 de Outubro de 2017 
8h34m
Jlmg

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Nossa pequenez

Nossa pequenez

Menos que um grão na imensidão do infinito.
Simples poalha sem cor nem som,
A gravitar oculto. Estar ou não é o nada absoluto.
Do nada ao ser é muito mais do que tudo quanto existe.

Porque me hei-de, então, sentir tão importante como se fosse o centro do universo?
Não comando o meu movimento.
Muito menos a minha rota.

Simples viageiro que nada sabe da sua origem.
Pirilampo mágico.
Só eu oiço em mim a voz da consciência que me dá a visão total.
Só eu sei que sou e sonho criar meu mundo…

Ouvindo Elgar e outras melodias

Berlim, 4 de Outubro de 2017
4h41m
Jlmg



Face das notas

Face das notas
Como enxames, poisam doces sobre as teclas dum piano aceso.
Se alinham numa linha de ordem, tão exacta.
As cordas vibram. Ora fortes ora suaves.
Esparzem cores. Se afundam mergulhadas num oceano de prazeres.
E bailam. Escrevem canções, de luz e chama.
Dá gosto ouvi-las. Bradando ao céu num tom sem par.
Clamando a paz divina, oração total e a bênção vem…
Ouvindo concerto para piano de Grieg por A. Rubinstein
Berlim, 3 de Outubro de 2017
16h59m
Jlmg

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Através das frestas...

Através das frestas das janelas
Chegam arrufos de sopros lindos.
Vêm envoltos numa envolta pura e reluzente,
De linho puro e de arminho.
Me inundam toda a alma.
Me regalam de lindos sonhos
E vontade de sonhar.
Aquecem todo o meu ser dum calor brando e inebriante.
Dão-me o ser e o viver.
Se entranham bem fundo e se espalham nas minhas veias,
Como onda suave dum mar sereno.
Vibram sonoras as minhas cordas,
Entoam hinos.
Me enlevam num encanto puro,
Pelo esplendor do céu, até às alturas maviosas dum mar estrelado.
Ouvindo Aranguês em instrumentos de sopro
Berlim, 3 de Outubro de 2017
8h8m
Jlmg

domingo, 1 de outubro de 2017

O princípio das coisas



O princípio das coisas

Brotam das encostas pedregosas,
nas alturas alcantiladas,
onde só as  águias e os condores conseguem lá poisar,
duas árvores, volumosas, nos seus troncos e ramos poderosos.

Abraçam orgulhosos a natureza
e mostram ao mundo como se vence a escassês.

Seus frutos, disseminados, se expandem.
Lentamente, repovoam o vale ermo onde a chuva fez um rio.
E, no rio, correm peixes. Mais um milagre.

Tantos campos, mais ao longe, são regados.
Tanta gente, tanta vida, deles vivem.
Entretidos, na verdura daquele húmus, onde a abundância é fertilidade,
Mal sabem, até  esqueceram que sua história, como um rio, teve um começo e terá fim.

Berlim, 2 de Outubro de 2017
4h8m
Jlmg