quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Não tratem mal as andorinhas

Não tratem mal as andorinhas…
Só têm asas e um voo tão leve.
Não têm telhas. Buscam os lares.
Voam de longe, na primavera.
São emigrantes.
Passam a vida num vaivém constante.
Embelezam os ares com os seus voos.
E voam rasteiras. Não têm medo.
Andam no chão.
Levantam-se cedo. Logo a bailar.
Rondam as casas. Bordejam caminhos.
Junto às escolas. Alegram meninos.
Soltam chilreios. Aves canoras.
Semeiam alegria. Sabem as horas.
Lá pela tardinha, ouve-se as noras.
Tocam os sinos. São as trindades.
E as andorinhas, perto do céu,
Voam rezando.
- Avé-Maria, Mãe do Senhor,
Bênção de Deus!
Berlim, 5 de Outubro de 2017 
8h34m
Jlmg

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Nossa pequenez

Nossa pequenez

Menos que um grão na imensidão do infinito.
Simples poalha sem cor nem som,
A gravitar oculto. Estar ou não é o nada absoluto.
Do nada ao ser é muito mais do que tudo quanto existe.

Porque me hei-de, então, sentir tão importante como se fosse o centro do universo?
Não comando o meu movimento.
Muito menos a minha rota.

Simples viageiro que nada sabe da sua origem.
Pirilampo mágico.
Só eu oiço em mim a voz da consciência que me dá a visão total.
Só eu sei que sou e sonho criar meu mundo…

Ouvindo Elgar e outras melodias

Berlim, 4 de Outubro de 2017
4h41m
Jlmg



Face das notas

Face das notas
Como enxames, poisam doces sobre as teclas dum piano aceso.
Se alinham numa linha de ordem, tão exacta.
As cordas vibram. Ora fortes ora suaves.
Esparzem cores. Se afundam mergulhadas num oceano de prazeres.
E bailam. Escrevem canções, de luz e chama.
Dá gosto ouvi-las. Bradando ao céu num tom sem par.
Clamando a paz divina, oração total e a bênção vem…
Ouvindo concerto para piano de Grieg por A. Rubinstein
Berlim, 3 de Outubro de 2017
16h59m
Jlmg

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Através das frestas...

Através das frestas das janelas
Chegam arrufos de sopros lindos.
Vêm envoltos numa envolta pura e reluzente,
De linho puro e de arminho.
Me inundam toda a alma.
Me regalam de lindos sonhos
E vontade de sonhar.
Aquecem todo o meu ser dum calor brando e inebriante.
Dão-me o ser e o viver.
Se entranham bem fundo e se espalham nas minhas veias,
Como onda suave dum mar sereno.
Vibram sonoras as minhas cordas,
Entoam hinos.
Me enlevam num encanto puro,
Pelo esplendor do céu, até às alturas maviosas dum mar estrelado.
Ouvindo Aranguês em instrumentos de sopro
Berlim, 3 de Outubro de 2017
8h8m
Jlmg

domingo, 1 de outubro de 2017

O princípio das coisas



O princípio das coisas

Brotam das encostas pedregosas,
nas alturas alcantiladas,
onde só as  águias e os condores conseguem lá poisar,
duas árvores, volumosas, nos seus troncos e ramos poderosos.

Abraçam orgulhosos a natureza
e mostram ao mundo como se vence a escassês.

Seus frutos, disseminados, se expandem.
Lentamente, repovoam o vale ermo onde a chuva fez um rio.
E, no rio, correm peixes. Mais um milagre.

Tantos campos, mais ao longe, são regados.
Tanta gente, tanta vida, deles vivem.
Entretidos, na verdura daquele húmus, onde a abundância é fertilidade,
Mal sabem, até  esqueceram que sua história, como um rio, teve um começo e terá fim.

Berlim, 2 de Outubro de 2017
4h8m
Jlmg

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Por uma côdea de pão




Por uma côdea de pão



Por uma côdea de pão e a migalha dum tostão,
Andrajosos, pareciam velhos,
Andavam em bandos,
Os mendigos da minha terra.

Vinham ao sábado. Pela encosta acima.
-seja pelas alminhas de quem lá tem!
Como bem os lembro, era eu miúdo
Não percebia nada.
A fartura duns. A miséria muita.
De quem era a culpa?...
Tantos palacetes, cercados de terras tantas
Tantas telhas negras de casinhas pobres.
Não havia sobras.
Até as valetas serviam de cama.
Era tudo a senhas.
Havia guerra à porta.
E o que era a guerra?
Só sobrava a missa…

Berlim, 30 de Setembro de 2017
7h22m
Jlmg

Festejar a vida

Festejar a vida...
Vamos festejar o nascer o dia, depois duma noite de luar de lua cheia,
Sorver a brisa verde que vem do mar.
Bailar ao vento, como dançam as andorinhas, em graciosos arcos de beleza.
Vem aí o sol da abundância semeando calor e vida nas planuras mais agrestes.
Abramos nossos braços, em abraços verdadeiros.
Sirvamos o amor da amizade a todo o mundo.
Brindemos à alegria que brota fresca em fonte pura.
Abramos os nossos olhos vivos aos fulgores tão belos do horizonte.
Cultivemos a arte da simpatia com sorrisos francos de abundância.
Sejam puros nossos instintos no rigor severo da amizade.
Sejam doces nossas palavras para quem vai ao nosso lado.
ouvindo Love Story
Berlim, 30 de Setembro de 2017
5h53m
Jlmg