quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Horas sombrias



Horas sombrias

São tantas as horas sombrias.
O céu fica negro.
Nada apetece. Tudo sem graça.
A vida parece que acaba.

Mas a vitória aparece ao raiar duma manhã.
Quando se abre a janela.
As flores sorriem.
A brisa do mar.
O perfume das algas.

Volta o calor. O coração bater.
Apetece trepar para o monte.
Parar numa fonte,
Cajado na mão. Por causa das feras.
Cantar e sonhar.

Assim funciona este relógio da vida.
É preciso dar-lhe corda.
Saborear a vida.
É só uma e não volta a nascer…

Ouvindo Chopin

Berlim, 27 de Setembro de 2017
9h59m
Jlmg



O pequeno almoço

O pequeno almoço
O bom começo de mais um dia.
Mesmo na versão mais simples:
Café com pão,
Torrado ou não,
Mas com manteiga.
O corpo gosta e alma adora.
Se, com mais requinte:
A imaginação é mestra.
É só segui-la.
Tanta coisa boa a inundar a mesa.
Do fiambre à fruta.
A cor dos sumos.
A força dos ovos.
Geleia e mel.
Fatias de bolo.
Café com fartura.
Vou ficar por aqui…
É melhor.
Bom apetite! Não pode faltar.
São servidos?
Berlim, 27 de Setembro de 2017
8h57m
Jlmg

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Retratos rasgados



Retratos rasgados

Presenças passadas que o tempo levou jazem esquecidas nas caixas do sótão.

Umas são graves outras sorriem.
Mesmo calados, seus olhos parece que falam, profundos.
Assemelham-se à gente, nos traços e linhas do rosto.

Corre em nós seu sangue extinto.
Queima seu fogo como se estivesse presente.
Dizem à gente quem fomos.
Nos lembra que, um dia, como eles seremos.
Nos retratos esquecidos numa caixa no sótão
Ou imagens invisíveis, gravadas num chip…

Berlim, 26 de Setembro de 2017
22h14m
Jlmg

Os azedumes



Os azedumes

Envelhecem mais os azedumes de quem é próximo que o fardo do dia a dia, com sua aspereza.
Deixam sulcos fundos, cheios de sombra, na tez da alma.
Tanto mais quanto os caminhos são paralelos e inevitáveis.

Se entranham tão dentro.
Não há suco. Nem romper de sol que os adoce.
Nunca mais esquecem. Mesmo que passem.

Empobrecem. Queimam energias.
Escurecem os dias por mais luminosos.
Tiram o sabor a tudo.
Amargam na boca.
Com sorte,
Só o torpor dos sentidos nos traz a calma.

Ouvindo músicas de filmes

Berlim, 26 de Setembro de 2017
16h6m
Jlmg