domingo, 10 de setembro de 2017

Chegar tarde a casa...



Chegar tarde a casa…

Chegar tarde a casa, depois dum dia de brincadeira, era um momento horrível.
Meia dúzia de palmadas eram os foguetes duma noitada.
O que vale eram da mão da mãe…
Eram afagos do amor que uma mãe tem.

Só o meu bem ela queria.
Preciosas foram pela vida inteira.
As balizas dum bom caminho.
Belos tempos. Foram de sonho.

Noites lindas de aconchego.
O calor do lar foi o fermento
De pão tão bom.
Chegou para mim e p’rós meus também.
E vai sobrar…

Café Castelão, 10 de Setembro de 2017
9h23m
Jlmg

sábado, 9 de setembro de 2017

Casa vazia...



Casa vazia…

Abro as janelas e portas inundadas de luz.
Só as paredes e soalho ao ar.
Prostradas as sombras choram segredos.
Horas alegres, raiadas de esperança encheram as salas.

O lar da cozinha, caiado de fumo, exala o cheiro dos estrugidos que foram.
O forno de barro, de boca aberta, aguarda a pá e as fornadas do pão.

Zumbem nas telhas que cobrem os caibros silvos do vento puxando o fumo.
Sobraram os buracos nas nuas paredes dos lindos quadros que contavam a história dos pais e avós.

Atrás duma porta, há uma vassoura esquecida, de pé.

Tapada de Mafra, 10 de Setembro de 2017
7h55m
Jlmg




Suave sonolência...



Suave sonolência…

Suave sonolência nimba meu pensamento.
Quase adormeço e sonho,
Inebriado de paz e quietude.

Alcanço as sombras de todas as cores
Nos arcanos da minha intimidade.

Oiço lindos acordes da fantasia
E me transporto aos excelsos prados da suavidade onde reina a alegria.

Mergulho no mar suave da madrugada e me banho no luar da lua cheia.
Quero ficar aqui nesta leda plenitude
Como já fosse a eternidade…

Ouvindo Pachelbel

Café Castelão em Mafra, 9 de Dezembro de 2017 9h36m
Jlmg


Também morrem os furacões...

Também morrem os furacões...
Bravos são os furacões mas também morrem.
Aparecem furibundos.
Arrostam ferozes contra a terra e contra o mar.
Esfacelam só a crosta. Por mais estragos que eles espalhem.
Ardem como uma fogueira e como fogo se apagam.
Tão medonhos como vulcões ou terramotos.
São só frémitos da natureza que repõe seu equilíbrio, a bonança da tempestade.
Nada são comparados com sua quase permanente estabilidade...
ouvindo concerto nº 2 para piano de Mozart por Hélène Grimaud
Tapada de Mafra, 9 de Setembro de 2017
5h29m
Jlmg

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Só água e madeira morta..

Só água e madeira morta...
 
Só água e madeira morta…
Um engenho. D’água e madeira morta.
Poderosa concha que enche e vasa.
Alimenta um rego que rega um campo.
Não leva um prego. 
Só martelo e plaina.
E arte em força.
P’ra quê a forja em brasa
que o ferro doma,
Se a natureza tudo dá de graça?


Café Caracol em Mafra, 7 de setembro de 2017
Jlmg