sábado, 2 de setembro de 2017

Nossos marcos



Nossos marcos

Ínsito em nós é deixar marcos no nosso caminho.
Assegurar o bom regresso dá-nos a confiança do sucesso.

Ninguém gosta de ir de vez.
Significa um corte antinatural.
Só a morte é de vez.

Mesmo assim, ressuscitar é uma esperança firme para muita gente.
Uma ideia que alivia a morte.

Foi-nos dada a consciência como penhor da eternidade.
Só nós a temos.
O contrário repugna à inteligência.
Nenhum ser vivo mais sente a angústia de morrer.
É eterno nosso destino.
Só assim faz sentido.

Café Castelão, 2 de Setembro de 2017
9h54m
Jlmg

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Ricochete da natureza...



Ricochete da natureza…

Parece serena dormindo.
Assiste calada. Cala e regista.
Tolera com tino.
Quando se passa da escala,
Se levanta mostrengo,
No bojo do mar.

Urra. Estrebucha.
Assusta inclemente.
Arrasa e inunda.
Inferniza de fogo,
Searas, aldeias e matas.
Vira terror.

Ninguém a atice.
Tem garras de fera.
Arrosta potente o forte e o fraco.
Açoita, dizima
E fica sempre por cima.

Ninguém se meta com ela…

Café Castelão em Mafra, 1 de Setembro de 2017
8h52m
Jlmg





quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Para trás das costas...



Para trás das costas…

Quando nada mais se pode, por mais voltas que se dê,
Nem com a ajuda do irmão,
A solução só pode ser lançar tudo para trás das costas.

O tempo é sábio e poderoso.
Tem chaves escondidas.
De acesso exclusivo.
Só ele sabe onde elas estão.

O equilíbrio da natureza é natural.
Em todos os seus três reinos.
Só a paciência não.
É parca e fraca.
Só a reflexão serena a sossega e a mitiga.

Se não for hoje, talvez seja amanhã…

Café Castelão, 31 de Agosto de 2017
8h51m
Jlmg


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Repasto das gaivotas...

Repasto das gaivotas…

Aquele pesqueiro que, à mesma hora, ao largo, lança fora pedaços de peixes mortos,
traz atrás um bando permanente de gaivotas.
Parecem famintas. Batem as asas. Grasnam. Não tocam no mar.
Esperam a hora. Numa disputa feroz,
Enchem o papo e vão passear.
Não têm relógio mas sabem das horas.
O fitam de longe. Seguindo-lhe a rota.
Só descem ao chão na hora da lota.
É assim que elas vivem. Voando e cantando. A mesma está posta.
Não é preciso bater.
Basta entrar…

Tapada de Mafra, 31 de Agosto de 2017
7h33m.
Jlmg

Fogoso fio de água...

Fogoso fio de água...

Fogoso fio de água se desprendeu das fragas altas da montanha,
saltando pedras e cavando sulcos,
vem sedento, vem faminto,
se alarga na extensa planície.

Duas margens o seguram e o prendem.
Simula o sono, por debaixo dos arbusto.
De repente, se desprende num voo louco,
se precipita no abismo e, moribundo, fica exangue.
Pelas encostas e veredas, descem bandos de famintos.
Ora cabras ora vacas.
Se embebedam e refrescam
de água fresca.
Voltam fortes e agradecem ao amigo sempre pronto
Em ledas horas de descanso.
ouvindo concerto para violino e orquestra de Sibellius, por Sarah Schang
Café Castelão, 30 de Agosto de 2017
10h2m
Jlmg