terça-feira, 22 de agosto de 2017

Ardem tensos...



Ardem tensos…

Ardem tensos estes nervos de papel.
Fervem secos os meus sonhos inquinados.
Quem os salva é a poesia.
Um mar a arder. Suave e belo.
Em chama permanente.

A fonte é pura.
Vem do fundo em lufadas frescas.
Iluminam e acalentam como brisa.

São de cera as minhas penas.
Derretem ao sol de inverno.
Lavei no mar as minhas mágoas.
Enxugo ao vento e saro ao sol as minhas feridas…

Café Castelão em Mafra, 22 de Agosto de 2017
19h25m

Jlmg

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Lágrimas quentes...



Lágrimas quentes…

Caem lágrimas quentes dos meus olhos
Como sangue vivo duma fonte.
Porque choram estes olhos,
São de ver só e não sofrer.

Tantos raios e fogo impuro incendeiam este mundo.
Tanta dor. Porquê?
Onde mora a paz, onde o mar, nesta terra diabolizada?

Chorar é regra. A dor é praga.

Que progresso é este? Foi-se à lua.
Tantas ondas, tantos hertz…
Afinal, tudo em vão.
Espalham o mal e não a semente do pão e vinho que faz feliz a humanidade…

Ouvindo concerto para violino e orquestra por Janine Jansen de Mendelson

Bar “O caracol” em Mafra, 21 de Agosto de 2017
8h53m

JLMG


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Mínimo vital...



O mínimo vital…


Sem o mínimo vital,
No corpo ou no espírito,
É precária a existência.
Avizinha-se o fim.

O ar escasseia.
Vem a aflição.
A tontura. A perda dos sentidos.
E depois, o desfecho final.

Se desfalece a emoção e esvai o sabor,
O horizonte enegrece e a vida definha.
A riqueza empobrece.
Morre o interesse.
A derrocada final.

É ténue e fugaz o ponto de equilíbrio.
Não existe fronteira entre o forte e o fraco.
O pobre e o rico.

Esta é a certeza e a base que sustenta a existência.
Se queira ou não queira.
É lei…

Mafra, 9 de Agosto de 2017
5h58m
Jlmg



domingo, 6 de agosto de 2017

Asas de Albinoni...



Asas de Albinoni…

Me deixo ir nas asas de Albinoni.
Cansado de andar às voltas,
Desaguei aqui e fui.

Fascinação da suavidade, dolente e pura,
Duma melodia leve e sã.
Como bálsamo, caíu em mim, uma chuva branda e fresca.

Subi de novo para além das nuvens.
Revi meu ser.
A casta verdadeira que minha alma tece.
Se espraia em mim o odor perfumado da beleza.
Arrumo minhas ideias e parto, de novo,
Para as sendas agrestes da existência.
Onde, inesperadamente, há furacões e vendavais.

Quero navegar sereno.
É medonho o mar enfurecido
Onde, por mais resistente, não há calado que resista…

Frente à Tapada, 7 de Agosto de 2017
7h43m
Ouvindo Albinoni
Jlmg


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Casa da poesia

A casa da poesia...
É rainha
Não mora em palácios.
É sóbria e recatada.
Atenta ao belo
Onde quer que esteja.
Não tem regras nem códigos.
É perfume que emana natural
Como a lava dum vulcão.
Adora as alturas luminosas
Donde alcança o horizonte.
Se espraia colorida pelas encostas e Vales floridos.
Saboreia o mar e suas convulsões de espuma.
Dança em graça ao vento em fúria
Como na mais débil e brisa fresca.
Seu mar é o da simplicidade.
Sorri aos cambiantes das cores e dos sorrisos.
Se banqueteia com as delícias da formosura.
Seu ópio é o sonho e a fantasia.
Foge das pedras sem musgo
Como o diabo foge da cruz.
Adora lagos e rios mansos.
Busca as sombras doces das latadas.
Bar Castelão em Mafra, 4 de Agosto de 2017
8h56m
Jlmg

O passarinho voou...

O passarinho voou…

Por alguns segundos um passarinho poisou na minha varanda.
Veio sozinho.
Mirou…mirou…e partiu.
Tem hora marcada no ninho.
Seu mundo é seu.
Tal como o meu.
Tem regras.
O acaso morreu.
O futuro não conta.
O que conta 
é o instante que passa.
A batalha da vida se ganha lutando.
Nada esperes do céu se não te meteres ao caminho.
Por isso o pássaro voou da minha varanda…
Mafra, 4 de Agosto de 2017
15h5m
Jlmg

terça-feira, 1 de agosto de 2017

De terra batida

De terra batida…

Em vez de ladrilhos,
De terra batida,
Eram os caminhos,
Pela aldeia.

Vinha o inverno,
Fazia-lhes sulcos,
Rios fluentes,
Sem velas nem barcos,
Passeando as folhas,
Caídas ao chão.
Quando vinha o sol,
Apareciam as praias,
Carregadas de areia,
Eram um regalo,
Apetecia brincar.
Se erguiam castelos,
Cheios de ameias.
Ensaiavam-se guerras,
No meio da paz.
Um dia, tudo acabou.
Chegaram as máquinas,
Largaram cascalho.
Regaram-nos de negro,
O alcatrão.
Para sempre morreram os sonhos de inverno…
Tapada de Mafra, 2 de Agosto de 2017
6h45m
Amanhecer cinzento
Jlmg