sexta-feira, 9 de junho de 2017

Como um condor

Como um condor...
Como um condor nas alturas dos Andes,
plano no mundo das minhas ideias.
Sorvo a brisa que me embala
e canto os versos albos da eternidade.
Me lanço ao vento, folha perdida,
em busca da paz e serenidade.
Só assim, reluz em mim,
o fulgor da luz e a força sem fim
que, hora a hora,
me dá o Criador...
Bar do Reichelt, Berlim, 9 de Junho de 2017
9h11m
ouvindo concerto para piano Chrysanthemum, pianista Anna Hung
Jlmg

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Serviço...



Serviço…

Aquele bocado ou pedaço da vida
Que trocamos com os outros.
Aquele espaço do tempo
Em que somos e não somos para nós.

Os frutos que damos retirando a semente.
Obra das mãos,
Concebida na mente,
Pertencem aos outros,
Mas são parte de nós.

Quem só vive para si,
Julgando-se rei,
Torna-se um escravo
Que não serve para nada…

Berlim, 8 de Junho de 2017
7h26m
Jlmg



terça-feira, 6 de junho de 2017

Leitura das almas

Perscruto nos olhos das gentes
suas almas ocultas.
Nuvens de angústia toldam seus rostos.
...
O peso dos anos é muito
e escassa a esperança de vida.
É brando o fogo que lhes arde lá dentro.
Aquele apelo de luta que o dia-a-dia exigia
extinguiu-se com a última saída dos filhos.
Agora, navegam sózinhos, ao longe,
no mar das distâncias.
Implacável é a lei que assim ordenou,
sem prévia consulta,
a ver se as almas assim o queriam...

Bar do Reichelt em Berlim, 7 de Junho de 2017
8h47m
Jlmg

Sarilhada de fios

Sarilhada de fios

Para pôr o computador a carburar,
Há uma sarilhada de fios a desenlaçar.
É o da corrente que se esconde na mala enrodilhado.
É o rato ladino que se esgueira ao trabalho como um rato.

É o da net que se emaranha numa teia sem aranha.
E o dos fones para calar os megafones.

Só depois eu páro e acendo a combustão.

Depois, é o clarão do mundo que se abre e aproxima.
Vêm as boas e muitas más.

Uma a uma, se acende verde o facebook.
Vem a troca. Cada um com seu farnel.
Cada um o seu sabor.

Aqui se chora, ali se ri.
Há os sérios e meditabundos.
E os cegos que só a si se vêem.
Mas também os generosos.

Os que pintam e os que escrevem lindamente.
Cada um na sua língua.

Depois, é a debandada.

Valeu a pena a trabalheira...

Berlim, no bar do Reicheld, 6 de Junho de 2017
8h55m
Jlmg

sábado, 3 de junho de 2017

Hora da sorte

Hora da sorte

Nem sempre para o céu.
Também é bom olhar para o chão.
Até para não tropeçar.
Desta vez, foi outra razão.

Ia eu pelo meu caminho.
Vendo as pombas a debicar.
Os passaritos sempre a pular.
Um canito esperto, preso à trela.

Ouvindo o ribombar dum avião.
Olhando as folhas ao alto a baloiçar.
Uma canadiana em cada mão.
Passo a passo, em certeiro toque.

De repente, olhei para o chão.
Dobradinha em duas dormia uma nota.
Era verdinha. De cinco euros.
Reclinei-me a custo.
Perdera o dono...

Já deu para o pequeno-almoço.
Bem saboroso...
Aqui no bar.

Bar do Reicheld, Berlim 3 de Maio de 2017
9h17m

Jlmg

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Macia e leve...

Uma película, macia e leve...

É a luz do sol.
Película, macia e leve,
Tudo cobre e alegra,
Nesta manhã de Junho.

Saltitam as cores das folhas vivas.
Tudo é puro como um lago manso.
Dá gosto olhar com olhos de ver.

Sob os chapéus de sol,
Há mesas limpas,
Onde apetece estar.
O café atrai
E as horas passam...

Bar dos motocas, 2 de Junho de 2017
8h57m
lindo dia de sol
Jlmg


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Terror do deserto



Terror do deserto

Execrável aridez do deserto
Onde a sombra não tem lugar
E só vegeta o nada e a solidão.
Nem para cobras,
Nem para serpentes.

Nem o clamor das sarças amaina
Aquela vastidão de areia ao sol.

O céu sem nuvens.
Não há fadas.
Não há lendas.
Até o luar fugiu
E foi viver no mar.
Tanta avareza!

Que faria ao mar
Se lhe desse um pouco de água!?...

Berlim,1 de Junho de 2017
16h36m
Jlmg