segunda-feira, 22 de maio de 2017

A força mágica dum sorriso



A força mágica dum sorriso


Os olhos brilham.
A alma assoma ao rosto.
A boca esboça um sorriso.
E uma força indomável se desprende.

Atrai. Segreda e entra adentro.
Nos devassa. E ilumina.
Com a força dum raio
Que o sol semeia.

Nos aquece. Nos sacia.
Reluz a vida
E a vontade de existir.

Não precisa de palavras.
Sua linguagem é fluida como a água pura.
Refresca e lava.

É seiva interna que alimenta.
É a arma em riste que desarma,
Sempre à mão…

Ouvindo “Rapsódia” de Rachmaninov

Berlim, 23 de Maio de 2017
8h4m
Jlmg




Ensurdecedor...



Ensurdecedor…

Ensurdecedor arrancou da terra.
Vai a subir vertiginoso,
Furando as nuvens,
Reluzindo ao sol.
Vê-se daqui.

Segue uma rota.
Tem um destino.
Não descansa mais
Até descer.

Ó que prodígio!
Tornou-se banal.

Devora as distâncias.
Cheio de gente.
Aproxima os povos
Nos hemisférios.

Reduziu a horas
O que levava meses.

Povoam os céus,
Parecem enxames.

Que seria do mundo,
Agora sem eles?

Berlim, 22 de Maio de 2017
9h32m
Jlmg


sábado, 20 de maio de 2017

Searas ao vento



Searas ao vento

Bailam serenas, nas searas,
As espigas,
Loiras,
Prenhes de milho.

Dá-lhes o vento suão.
Dançam e dançam sem fim.

Quando chega a hora,
Chegam ceifeiros,
Foicinhas nas mãos,
Cegam-lhes os caules
E tombam no chão.

Recolhidas aos montes,
Abraçadas em feixes,
Fazem montanhas,
Enchem os carros
Que os levam p’rás eiras.
A palha para um lado,
As espigas ao sol.

Ó que fartura o moinho a moer!

Enchem-se os sacos às rimas.
Se amassa a farinha,
Com a água da fonte,
Leveda o fermento,
Acende-se o forno
Com a lenha dos montes,
Ao cabo de horas,
É a fartura,
O milagre do pão…

Ouvindo Maksin Somewhere in Time

Berlim, 21 de Maio de 2017
7h33m

Jlmg







Dedos famintos...



Dedos famintos, desalmados


Dedos famintos, desalmados,
Daquele jovem iluminado,
Percorrem os teclados dum órgão alucinado
Clamando os sons incandescentes da Tanauser do nosso Wagner.
Enchem a catedral. Até as pedras centenárias
Das colunatas vibram nos seus prumos,
Como vibrantes cordas.

E, pelo chão, em deliciosas cadências,
Os pés do organista
Marcam o ritmo
Como se fosse bateria.

É a hora expoente da arte musical.
Tanta beleza!
Que nos enche e sacia a alma
Com os magnos eflúvios sonoros
Que só um órgão de tubos
É capaz de dar…


Berlim, 20 de Maio de 2017
18h3m

Ouvindo a Tanhauser de Wagner tocada num órgão de tubos, por Jonathan Scott

Jlmg



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Casa dos Valentes

Casa dos valentes

Virando à esquerda.
Tomando o caminho do monte,
A meio caminho,
do lado direito,
fica uma casa, mansão do passado.

Virada ao sol.
Queimada da chuva,
Muitas janelas cerradas
Enfrentaram o tempo da fome e da guerra.

Foi um capitão que a ergueu.
Ali deixou a família
E desandou para o Brasil.
Terra do oiro e do sonho.
Terra da lenda.
Miragem perdida.

Prometeu que voltava.
Ou que chamaria os seus.
Os anos passaram.
Os filhos cresceram.

Desciam à escola
E se fizeram uns homens.

Correram o mundo.
Voltaram cansados.
Se acoitaram na casa
Gastando seus dias.

Eram queridos da terra.

Hoje, são poucos dos antigos
que falam sobre eles.
Impante a casa lá está,
Carregada de história
Que não vem nos jornais.

A casa lendária que foi dos Valentes...

Bar dos Motocas, 17 de Maio de 2017
14h59m

Que tarde de sol!...

Jlmg

terça-feira, 16 de maio de 2017

Sucessão de formas concêntricas



Sucessão de formas concêntricas

Vem de longe este túnel de formas Concêntricas que eu sou.
Dum encontro fatal brotou um ser compósito:
Alma e corpo, com forma de gente.
Único e irrepetível.
Um elo, apenas.
Com um destino que é seu.

Propagou-se no tempo,
Em imagens crescentes.
Desde um simples minúsculo, idêntico,
Ao ponto que sou,
Numa permanência perfeita e total.

Sinto quem fui desde o começo,
Não como alheio.
Diviso para trás,
Mas ignoro o que serei no futuro…

Berlim, 17 de Maio de 2017,
8h38m

Mais um dia de sol

Jlmg