quinta-feira, 6 de abril de 2017

Diferenças e semelhanças...

Diferenças e semelhanças…

São diferentes os planetas e as galáxias.
E a multiplicidade de seres que preenchem o mundo.
Todos cabem no tempo
E comungam da mesma matéria.

Vão quase do zero ao infinito
E não tem fim a quantidade.

Constituem grandes famílias.
Segundo a forma e a condição.

Sua casa é a existência.
Obedecem às mesmas leis.
A união é que os prende.
E não sabem para onde vão.

Como tu.
Sou igual e sou diferente.
Todos cabem na minha mente
Enquanto sou...

Bar "Caracol" em Mafra
6 de Abril de 2017
9h40m

JLMG



quarta-feira, 5 de abril de 2017

DE Mafra a Ovar...

De Mafra a Ovar...

Por uma questão de confiança,
deixei Mafra a dormir
e fui ver Ovar a acordar.

Quem achou uma boa oficina de automóveis,
Em que pode confiar,
não olha a distâncias
para fazer as revisões.

É bom saber que se deixa um carro enfermo
e se levanta o mesmo,
em boa forma
e com as peças todas...

A experiência o diz.

Bastava não gratificar os operadores da revisão
e a vingança vinha na primeira oportunidade:

 - Um pneu descalibrado; ao cabo de umas centenas de km e ficava careca.
- o conta-kilómetros ou o limpa-pára-brisas desligado entre muitas...

Nesta eu sei que tudo fica em ordem, com gorjeta ou sem gorjeta...
E porquê?
Porque ali ainda reina a honestidade.

Ovar, 5 de Abril de 2017
13h32m

JLMG

Estilhaços de verniz...

Estilhaços de verniz...
Se cobrem os passeios e caminhos
de estilhaços de verniz.
Como de folhas secas....
Tanto reluziram ao sol.
Perderam cor. Mirraram.
Semearam ilusões,
figurando princesas,
príncipes.
Empertigados.
Afinal, mortalhas simples
de cabeças ocas.
Secou-lhes o céu da boca.
De tanta palavra vã.
Tantos gestos inúteis,
com ares de garbo.
Porque se pintam rostos,
para quê o charme,
se, por fim,
tudo é falso e fátuo?
Mais vale a ruga na pele ao sol
que reflita a alma
que a imagem rútila
que, no fundo, é máscara...

Bar-café Jardim, em Ovar,
5 de Abril de 2017
10h41m
JLMG

domingo, 2 de abril de 2017

Grande invasão...



A grande invasão…

Passam, longe e à frente,
Num cortejo incessante
De nuvens negras, prenhes
Do mar ao pé.

Avançam herméticas à luz do sol.
Vão frenéticas, com vontade de molhar.

É sua arte natural, além de as p Primeiras pintoras gráficas de grafitti
Que se viu na história.

É cada painel. Grandes naves em estranhas formas.
Montanhas gigantescas, glaciares sem gelo.
Grandiosos mapas-mundi dum mundo anão, sempre em mudança.

Uma arquitectura gaudi, piramidal e estática.
A apoteose em festa de vulcões de raios.

As cataratas do céu, a arrancar do mar, a invadir o mundo…

Mafra, 3 de Abril de 2017
7h21m

jlmg


O cabo das tormentas...

O cabo das tormentas…

Quanto mais longa a vida.
Mais cedo ou mais tarde.
Enegrece o horizonte....
Chovem pedras sobre a casa.
Vindas donde?

Se passam noites sem pregar olho.
É o dinheiro que não chega.
Para tanta necessidade.
A saúde que se esvai.
E o remédio que não vem.
Há um filho que descamba.
É a lama…é a lama…
O amor gelado que não aquece,
Quase apaga.
O emprego que se esconde.
A esperança e fé que quase morrem.
De tudo vem.
Não há ninguém que se não queixe.
De repente, vem a bonança.
Sorri o sol e a lua encanta.
Ganham cor e brilho os nossos olhos.
Se alisaram todos os escolhos.
Por obra e graça,
Não sei de quem.
Apagou-se a ventania.
Vem a graça e vem a força,
Em alvorada..
A alegria reverdece.
A vida é bela.
Tudo esquece…
Aleluia!...

Mafra, 2 de Abril de 2017
8h16m
Jlmg

sábado, 1 de abril de 2017

Caíu uma estrela...

Caíu uma estrela…


Noite estrelada.
Caíu uma estrela
No céu da noite
Da minha aldeia.

Foram à procura.
Onde cairia ela?
Foram ao rio.
Ao lago das velas.
Ao monte das fadas.
Solar dos espíritos.
Nada encontraram.
Ao voltar para casa,
Coração tão triste.
Era Natal.
Um clarão solar
Iluminava o adro,
Com presépio vivo.
A tradição.
Sobre o estábulo,
Cintilava ela.
Parecia o sol.
A família sagrada,
Ali passava a noite.
À luz da lua,
Dezembro frio.
O Menino nascia.
Era Natal!...
Mafra, 1 de Abril de 2017
14h2m
Jlmg

Desta vai ser...

.- Desta vez vai ser…
Quando tudo parece perdido.
Tudo gasto.
Tanto bater à porta em falso.
Nem um pão lá na cozinha
Uma gota seca na almotolia.
Se corre a família inteira.
Tanta nega inesperada.
Eis que alguém chega
E bate à porta.
Quem será?
Era o carteiro.
Na mão, a carta.
………..
Na carta,
Uma grande nota!
Era do filho,
Era o último.
Vinha a caminho!
Partira há tanto,
Que ninguém sabia…
Que grande festa.
Desta vez será!...
Mafra, 1 de Abril de 2017
8h27m
Jlmg