sábado, 1 de abril de 2017

Desta vai ser...

.- Desta vez vai ser…
Quando tudo parece perdido.
Tudo gasto.
Tanto bater à porta em falso.
Nem um pão lá na cozinha
Uma gota seca na almotolia.
Se corre a família inteira.
Tanta nega inesperada.
Eis que alguém chega
E bate à porta.
Quem será?
Era o carteiro.
Na mão, a carta.
………..
Na carta,
Uma grande nota!
Era do filho,
Era o último.
Vinha a caminho!
Partira há tanto,
Que ninguém sabia…
Que grande festa.
Desta vez será!...
Mafra, 1 de Abril de 2017
8h27m
Jlmg

sexta-feira, 31 de março de 2017

A força da emoção...

A força da emoção…

Aquela onda possante
Que arranca do ventre,
Enche o peito e arrasa o coração.
Entala a garganta
Como bola de sabão.

Aquela explosão sem estrondo
Que vem de dentro,
Só a gente sente.
Afoga os olhos,
De fogo e luz.
Derrete as pedras
E desfaz a dor.
Aquele arranque
Com força ingente.
Vence a morte
E dá vida à vida.
Só o sente
Quem nunca perdeu a esperança,
Acreditou em si,
E, na hora negra,
Tudo alcançou…

Mafra, 31 de Março de 2017
18h3m
Jlmg

Por sendas e bosques...

Por sendas e bosques...

Por sendas e bosques,
eu e meu cavalo corremos,
subindo e descendo,
caminhos pedregosos,
peito arfando,
sorvendo a frescura matinal.

Jorrava luz do um céu em fogo.
Pelo ar, silvavam doces melodias.
É a festa da vida em cada dia.

Há que vivê-la com entusiasmo.
O passado não voltará jamais.
Fica passado. É lembrança.
É saudade.

O horizonte é infinito.
Apela ao sonho.
A morte desapareceu da terra.
Enquanto o sol,
com seu desvelo,
nos vai inundando a vida.

É bm viver e respirar feliz...

ouvindo belas melodias de música clássica

Bar "Castelão" em Mafra,
31 de Março de 2017
10h30m
Jlmg


Alentejo verde...

Pelo Alentejo verde…


Dia de sol brilhante.
Atravessamos o Tejo,
Alentejo ao mar....
Até Melides.


Diáfano o céu azul.
Verde e florido o chão
Coberto de pinheiros mansos e de sobreiros.
Jorrava o sol em feixes
Através das ramagens.
A estradita estreita serpenteava,
Serena e solitária.
De vez em quando, lá vinha um carro.
Era preciso encostar bem à berma
Para ambos cabermos.
Fomos visitar um casal,
Casado quando nós,
Já lá vão umas boas dezenas.
Nunca mais os vimos.
Cristina e Júlio.
A vida é assim...
Fugidos do bulício urbano,
Ali se acoitaram.
Silêncio e paz.
Mergulhados na natureza virgem.
Valeu a pena.
Lindas horas de conversa
E de relembranças!...
Mafra, 31 de Março de 2017
8h55m
Jlmg

quarta-feira, 29 de março de 2017

Transparência da mulher...

Transparência da mulher…


Mais que no homem
Reluzem as transparências na mulher.
Um dado comprovado.
Não as do corpo.
Sim as da alma.
Razões da história
Ou da genética.
São rudes e enigmáticos
Os bustos das celebridades
Através das eras.
Têm máscaras os seus rostos.
Nos painéis e nos museus.
Impenetráveis. Indecifráveis
os seus olhares.
Distantes ou sorumbáticos.
Só lhes ressaltam a gravidade.
Nos olhos fundos
Ou no sulco grave
Das suas rugas.
Nada transmitem.
Apenas figuras.
Muito se ostentam
E pouco falam.
Diverso o porte e expressão
Das nossas damas.
Seu ar é leve.
Olhar de águia.
Equidistante.
Um ser total.
É transparente.
Nada de sombras.
Devassando tudo.
Mas, revelando a alma.
Ao pé e ao longe.
É transparente.


Bar "Caracol" em Mafra
29 de Março de 2017
9h07m
Jlmg

terça-feira, 28 de março de 2017

Alegria de viver...



Alegria de viver…

Aquela flor, cheirosa e bela
Que tudo transfigura em beleza,
Só se dá bem num corpo são
E o espírito em paz.

Não está à venda em nenhum lado.
Cultiva-se na própria casa.
Tão delicada.
Requer carinho e atenção.

Tem pavor das ervas daninhas.
Que se dão bem a fazer mal
Em todo o lado.

Quanto melhor se cuida
Mais forte cresce.
Maior sabor dá à nossa vida.
Se alimenta de simplicidade e parcimónia.

Condimentos são apenas a paz da consciência
E a harmonia da convivência.

Fugir da riqueza, avara e sedutora,
É o exercício constante
Que a alimenta…

Ouvindo Mendelssohn, concerto para violino por Janine Jansen

Mafra, 28 de Março de 2017
8h35m

Jlmg


segunda-feira, 27 de março de 2017

Minhas fraquezas...

Minhas fraquezas…
 
Não me mordem as fraquezas.
São muitas e constantes.
As saúdo e as venero.
Me obrigam a estar atento
E a cuidar delas.
São o motor perene da minha vida.
Sem elas fácilmente me convenceria
De ser um rei.
Condenado à desilusão.
Na verdade era de barro.
Quanto mais se tem e sobe
Maior é o trambolhão…
Gosto de não dar nas vistas.
Rentinho ao chão.
A queda é pequena.
E logo reparada.
Há sempre quem acuda
E deite a mão…
Para quê voar?
Ver de cima o mundo.
Sem o sentir…
Bem melhor é viver nele.
Sentir o seu pulsar.
Ouvindo Brahms, concerto nº 1 em piano
Manhã de chuva
Mafra, 27 de Março de 2017
9h06m
Jlmg