domingo, 26 de março de 2017

Duas rotinas...

Duas rotinas...

Uma tem lagos e bosques.
Tudo é fartura e ordem.
Outra é parca, estreita,
Pacata.
Pertinho do mar.

Deu-mas a vida,
Ventos da história,
Quando menos esperava.

Preferia a que é minha.
Nela nasci e cresci.
Sonhei.
Nela me entendo.
Sei-a de cor.

Que bom que seria
Viver só com uma.
Com paz e justiça.
Onde na vida apareci...

Bar "Caracol" 26 de Março de 2017
11h01m

Jlmg


sábado, 25 de março de 2017

Carta a um desconhecido...

Carta a um amigo desconhecido...

São para ti, meu irmão desconhecido estas duas letras.
Vives igual neste mundo endiabrado.
...
Nascemos ambos sem sermos consultados.
Rodeados, nos primeiros tempos, de tantos desvelos.
Tanta atenção a nós.
Crescemos. Tudo parecia bom e lindo.
Tanta esperança num mundo bom.
Mas eis que, a nosso lado, cresceram as nossas sombras.
Incomodando quem seguia ao pé de nós.
Cada um pensando que o sol seria apenas seu.
Daí confrontos. Guerras e lutas.
Desconfiança se tornou a regra.
Acautelar seu espaço o maior cuidado.
De todo lado chovem as agressões possíveis e inimagináveis.
Vêm do Estado, supostamente o garante básico. Mas que nos esfola.
As religiões com falsas visões de bem.
Os valores ilusórios que nos pregam a Comunicação Social, ávidas apenas, de grandes audiências para semear domínio.
As falsas miragens que as modas apregoam. Criando modelos vãos. Só empobrecem.
Acautela-te, irmão.
A verdadeira paz reside em ti mesmo.
Cultiva o bem e a ordem. Contempla o sol e o céu.
Vê bem onde dás tuas passadas.
Diz qualquer coisa...
Bar "Caracol" 25 de Março de 2017
9h44m
Jlmg

sexta-feira, 24 de março de 2017

Asas barrentas...



Asas barrentas…

São minudências.
Pintinhas pretas
Asas barrentas.
Fogem do vento.
Brilham ao sol.
Podem voar
De flor em flor.

Nem são formigas.
Nem são aves.
Mansas. Suaves.
Semeiam silêncio.
Dão graça à vida.
Apregoam a paz.

Tartaruguinhas volantes.
Não caminham no chão.

Brincam com elas
Os meninos da escola:

- Joaninha, voa, voa.
Teu pai vai a Lisboa,
Se não começas a voar!

E, inocente,
Ela voa!
O menino,
Todo contente,
Sacola às costas,
Fica a vê-la.
- Joaninha, voa, voa…

Mafra, 24 de Março de 2017
8h28m
Jlmg




quinta-feira, 23 de março de 2017

Poesia verde...

Poesia verde...


Brota verde em cachos.
O perfume a sal da maresia.
Refulge ao sol...
E esvoaça ao vento
Como ave de arribação.

É sonora e canta.
Lindas trovas de alvorada.
Meiga e terna
Como o pão quente
A sair do forno.
Tão suave como o vinho doce.
Consola os tristes das suas angústias.
Como te adoro, minha companhia!
Que seria do mundo
Se ela morresse?...
Bar "Caracol" em Mafra
23 de Março de 2017
9h22m
JLmg

quarta-feira, 22 de março de 2017

Pastor alemão...

O pastor alemão...
Possante, preso à corrente,
Mete paixão,
Ali passa seus dias,
Guardando a casa,
À vista da rua.

Sabe quem passa,
Em todas as horas.
Ao raiar da manhã,
Vou caminhar,
Canadianas nas mãos,
Atiçando meu fogo,
Em passadas ligeiras.
Me pressente à distância
E solta a ladrar,
Num ladrar que entendo,
A dar-me os bons dias.
Quando nos vemos,
Estrebucha aos saltos,
De orelhas hirsutas.
Os olhos profundos,
Fazendo-me queixa:
-porque é que me prendem?
Já bastariam as grades...
Dou-lhe razão
E todo o consolo.
Quando volto,
Na passagem inversa,
Me fala sereno,
Irradiando ternura.
Digo-lhe adeus
E juro-lhe que
Cá estarei amanhã,
Propondo ao dono
O lugar do pastor...
Mafra, 22 de Março de 2017
11h32m

Raminho bailante...



Raminho bailante…

Se soltou da sebe
O raminho bailante.
Bailando sozinho.
Sorrindo a quem vem.

Ali passou a noite,
Batido de vento.
Clamando pelo dia,
Transido de frio.

Bate-lhe o sol.
Todo contente,
Se soubesse, cantava.
Haste pendente,
Varrendo o chão.


Tronco sem espinhos,
Todo verdinho.
Exposto à sorte
Do que lhe quiserem fazer.

Por isso sorri,
Bailando, bailando.
Sacudindo as folhas,
Como se fossem meninas
A caminho da escola.

Mafra, 22 de Março de 2017
7h34m
Jlmg

segunda-feira, 20 de março de 2017

Soluçar...



Soluçar…

Magnífica e eficaz serenação da Tempestade
Pôs o Criador na natureza.

Depois do ribombar da trovoada
E vergastar da ventania,
Parecia o fim do mundo,
Vem sempre a abundância da bonança
Que tudo acalma em saudosa sensação.

Vem a dor e a tormenta.
Em aparente crueldade.
Chora a alma e range o corpo
Sob as garras do desespero.
Jorram lágrimas dos nossos olhos,
Nosso peito em convulsão.
Tormentoso vendaval.

De repente, a luz se abre no horizonte,
Faz-se a paz.
Renasce a força cá por dentro
E a vontade de vencer…

Não desesperes.
É assim!...

Mafra, 20 de Março de 2017
8h04m
Jlmg