sexta-feira, 24 de março de 2017

Asas barrentas...



Asas barrentas…

São minudências.
Pintinhas pretas
Asas barrentas.
Fogem do vento.
Brilham ao sol.
Podem voar
De flor em flor.

Nem são formigas.
Nem são aves.
Mansas. Suaves.
Semeiam silêncio.
Dão graça à vida.
Apregoam a paz.

Tartaruguinhas volantes.
Não caminham no chão.

Brincam com elas
Os meninos da escola:

- Joaninha, voa, voa.
Teu pai vai a Lisboa,
Se não começas a voar!

E, inocente,
Ela voa!
O menino,
Todo contente,
Sacola às costas,
Fica a vê-la.
- Joaninha, voa, voa…

Mafra, 24 de Março de 2017
8h28m
Jlmg




quinta-feira, 23 de março de 2017

Poesia verde...

Poesia verde...


Brota verde em cachos.
O perfume a sal da maresia.
Refulge ao sol...
E esvoaça ao vento
Como ave de arribação.

É sonora e canta.
Lindas trovas de alvorada.
Meiga e terna
Como o pão quente
A sair do forno.
Tão suave como o vinho doce.
Consola os tristes das suas angústias.
Como te adoro, minha companhia!
Que seria do mundo
Se ela morresse?...
Bar "Caracol" em Mafra
23 de Março de 2017
9h22m
JLmg

quarta-feira, 22 de março de 2017

Pastor alemão...

O pastor alemão...
Possante, preso à corrente,
Mete paixão,
Ali passa seus dias,
Guardando a casa,
À vista da rua.

Sabe quem passa,
Em todas as horas.
Ao raiar da manhã,
Vou caminhar,
Canadianas nas mãos,
Atiçando meu fogo,
Em passadas ligeiras.
Me pressente à distância
E solta a ladrar,
Num ladrar que entendo,
A dar-me os bons dias.
Quando nos vemos,
Estrebucha aos saltos,
De orelhas hirsutas.
Os olhos profundos,
Fazendo-me queixa:
-porque é que me prendem?
Já bastariam as grades...
Dou-lhe razão
E todo o consolo.
Quando volto,
Na passagem inversa,
Me fala sereno,
Irradiando ternura.
Digo-lhe adeus
E juro-lhe que
Cá estarei amanhã,
Propondo ao dono
O lugar do pastor...
Mafra, 22 de Março de 2017
11h32m

Raminho bailante...



Raminho bailante…

Se soltou da sebe
O raminho bailante.
Bailando sozinho.
Sorrindo a quem vem.

Ali passou a noite,
Batido de vento.
Clamando pelo dia,
Transido de frio.

Bate-lhe o sol.
Todo contente,
Se soubesse, cantava.
Haste pendente,
Varrendo o chão.


Tronco sem espinhos,
Todo verdinho.
Exposto à sorte
Do que lhe quiserem fazer.

Por isso sorri,
Bailando, bailando.
Sacudindo as folhas,
Como se fossem meninas
A caminho da escola.

Mafra, 22 de Março de 2017
7h34m
Jlmg

segunda-feira, 20 de março de 2017

Soluçar...



Soluçar…

Magnífica e eficaz serenação da Tempestade
Pôs o Criador na natureza.

Depois do ribombar da trovoada
E vergastar da ventania,
Parecia o fim do mundo,
Vem sempre a abundância da bonança
Que tudo acalma em saudosa sensação.

Vem a dor e a tormenta.
Em aparente crueldade.
Chora a alma e range o corpo
Sob as garras do desespero.
Jorram lágrimas dos nossos olhos,
Nosso peito em convulsão.
Tormentoso vendaval.

De repente, a luz se abre no horizonte,
Faz-se a paz.
Renasce a força cá por dentro
E a vontade de vencer…

Não desesperes.
É assim!...

Mafra, 20 de Março de 2017
8h04m
Jlmg




domingo, 19 de março de 2017

Uma flor ao ar...

Atirei uma flor ao ar…

Atirei ao ar uma flor.
Suas pétalas coloridas,
As levou o vento,
Livres nas asas do pensamento.

Fui com elas.
Deram a volta ao mundo.
Refulgindo ao sol e ao luar.
Faúlhas vivas
Que a brisa leva e embala.
Quais faluas leves sobre ondas,
Na sua hora de brincar.

Lá das nuvens,
Vi a terra azul em marcha branda,
Mergulhada em profundo sono.

Desertas suas aldeias
Pareciam tendas as suas casas.
Verdejantes os prados verdes.
Eram seios túrgidos suas montanhas.
Lhes escorriam rios pelas suas vertentes.
Enchiam vales.

Havia lagos.
E nos mares, os promontórios.
Devassei desertos.
Suas dunas eram ondas mortas.

Divisei o Nilo.
Suas pirâmides hirtas.
Um montão de pedras.
Onde estão os seus segredos?

Vi o Ganges.
Estendido ao sol.
Desanimado.
De tanta paz.
Querendo voltar para trás...

No Oriente.
Que sementeira d'ilhas!
Onde não se sentia o vento
E abundava o mar...

Mafra, 19 de Março de 2017
11h57m

Jlmg





sábado, 18 de março de 2017

Para longe...



Para longe…

Para bem longe arremesso
Minhas tristezas e horas fracas.
Não saio da luta.
De pé eu permaneço.
Atento e certo das minhas limitações.

Minhas forças renascem em cada dia
Se a isso me predisponho.
Exercito, desde há muito,
A arte de recorrer à ajuda
De Quem a pode dar
E nunca falta.

Esse é o segredo de quem luta, pede
E nunca perde…

Ouvindo Smetana

Mafra, 18 de Março de 2017
7h48m
Jlmg