Do pedestal...
Vou descer do pedestal.
rentinho ao chão.
Para ver de perto.
Onde correm as formigas,
Na sua azáfama.
Lutando a vida.
É preciso sentir o odor da terra.
Calcorrear carreiros.
Provar o esforço.
Sentir a dor.
Para poder pesar.
Lá do alto, tudo é vago.
Só sentindo se sabe ver.
Nada é o que parece ser.
Só pegando à mão
Se levanta o peso.
O caminho se faz marchando.
É preciso subir
Para se poder descer.
Quem não ouve os outros,
Só pensa em si...
Bar do "Caracol" 5 de Março de 2017
9h45m
nevoeiro persistente
ouvindo Rachmaninov - 3º Concerto
Yefim Bronfman
Jlmg
domingo, 5 de março de 2017
sexta-feira, 3 de março de 2017
Sulcos ocultos...
Sulcos ocultos…
Há sulcos ocultos,
Gravados na mente
Que vêm da fonte.
Há sulcos ocultos,
Gravados na mente
Que vêm da fonte.
Iluminam caminhos.
Segredam segredos.
Nas horas de dúvida.
Derramam consolo
Nas horas de dor.
Irradiam alegria
Nas horas felizes.
Suavizam os passos
Nas voltas da vida.
Atentos a eles,
É suave a subida
E segura a descida.
Só os seguindo,
Se evitam os erros…
Bar “Castelão” Mafra
3 de Março de 2017
10h09m
Jlmg
Segredam segredos.
Nas horas de dúvida.
Derramam consolo
Nas horas de dor.
Irradiam alegria
Nas horas felizes.
Suavizam os passos
Nas voltas da vida.
Atentos a eles,
É suave a subida
E segura a descida.
Só os seguindo,
Se evitam os erros…
Bar “Castelão” Mafra
3 de Março de 2017
10h09m
Jlmg
quinta-feira, 2 de março de 2017
Doces videiras...
Doces videiras...
São doces as videiras
De cachos pendentes,
Regados de vinho.
Raiando ao sol.
Se cobrindo de cor
E de mel lá dentro.
Regalo dos olhos
De quem passa por baixo.
Cobrem ramadas.
Convidam à festa,
Searas de vinho,
Folhas doiradas,
Vindimas de Agosto.
Mafra, 2 de Março de 2017
15h13m
Jlmg
São doces as videiras
De cachos pendentes,
Regados de vinho.
Raiando ao sol.
Se cobrindo de cor
E de mel lá dentro.
Regalo dos olhos
De quem passa por baixo.
Cobrem ramadas.
Convidam à festa,
Searas de vinho,
Folhas doiradas,
Vindimas de Agosto.
Mafra, 2 de Março de 2017
15h13m
Jlmg
Gestos largos...
Eram largos os seus gestos…
Imponente, sempre erecto,
Caminhava.
Gestos largos e passadas.
Pelas sendas e caminhos
Sinuosos da aldeia.
Um esboço de sorriso
No seu rosto.
Nobre.
Olhar adunco.
Importante.
Toda a gente o respeitava.
Tinha amigos em todo o mundo.
Não havia porta que se lhe não abrisse.
Um emprego.
Um favor.
Era só subir a escada.
Nunca um não.
Um abastado.
Doutor em leis.
Um dia morreu.
Que falta fez
O Padre Amorim!...
Bar “Caracol” em Mafra
2 de Março de 2017
11h28m
Jlmg
quarta-feira, 1 de março de 2017
Minhas mágoas...
Minhas mágoas...
Lancei ao vento minhas mágoas,
Eram tantas, dolorosas,
Enegreciam os meus dias.
Vinham de longe,
Das atrocidades que a vida longa
Me foi dando.
Adolescência, com carências,
E vontade de crescer.
Daquela guerra infame,
Se revelou inútil e sanguinária.
Tanta semente boa
Que foi ceifada.
As encostas alcantiladas,
Subidas a fogo,
Até os cumes.
As derrapagens escorregadias
Através das sendas,
Áridas e recheadas de salteadores.
As vitórias só aparentes
Em que nenhum ganho
Sobejou de bom.
Enfim.
Só foi seguro e consolador
O castelo de sonho
Que ergui onde criei
Quem, com saudades,
Me ficará chorando
Chegada a hora de partir...
ouvindo Martha Argerich ao piano tocando Schumann
Mafra, frente à Tapada, 1 de Março de 2017
8h17m
amanheceu cinzento
Jlmg
Lancei ao vento minhas mágoas,
Eram tantas, dolorosas,
Enegreciam os meus dias.
Vinham de longe,
Das atrocidades que a vida longa
Me foi dando.
Adolescência, com carências,
E vontade de crescer.
Daquela guerra infame,
Se revelou inútil e sanguinária.
Tanta semente boa
Que foi ceifada.
As encostas alcantiladas,
Subidas a fogo,
Até os cumes.
As derrapagens escorregadias
Através das sendas,
Áridas e recheadas de salteadores.
As vitórias só aparentes
Em que nenhum ganho
Sobejou de bom.
Enfim.
Só foi seguro e consolador
O castelo de sonho
Que ergui onde criei
Quem, com saudades,
Me ficará chorando
Chegada a hora de partir...
ouvindo Martha Argerich ao piano tocando Schumann
Mafra, frente à Tapada, 1 de Março de 2017
8h17m
amanheceu cinzento
Jlmg
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Na forja...
Na forja...
Bem atiço o fogo da fornalha.
A brasa aviva, mas não dá chama.
Bem atiço o fogo da fornalha.
A brasa aviva, mas não dá chama.
Saem chispas e faúlhas,
Logo apagam.
Sobram cinzas.
Dão poeira.
Passa o tempo.
Vem o frio.
O desânimo.
De repente, vem um raio
e incendeia.
Há clarões.
Brilham estrelas.
h´Há fenómenos.
Inexplicáveis.
Só a fé gera a força
e nunca acaba...
Ber "Sete momentos" em Mafra
28 de Fevereiro de 2017
10h46m
Jlmg
Logo apagam.
Sobram cinzas.
Dão poeira.
Passa o tempo.
Vem o frio.
O desânimo.
De repente, vem um raio
e incendeia.
Há clarões.
Brilham estrelas.
h´Há fenómenos.
Inexplicáveis.
Só a fé gera a força
e nunca acaba...
Ber "Sete momentos" em Mafra
28 de Fevereiro de 2017
10h46m
Jlmg
Tentativas falhadas...
Tentativas falhadas...
Esforço inglório.
Quando se almejam as distâncias
onde se adivinha o sucesso.
Por onde giram os nossos sonhos.
E há promessas de vitórias.
Se organizam arquitecturas
e se traçam estratégias.
Se aplicam as energias
e, com denodo esforçado,
se avança destemido.
Para, ao resto e ao cabo,
desaguar na ilusão.
Tanto esforço.
Tanta riqueza, em vão, se consumiu.
No fim de tudo,
só a lição...
Bar "Sete momentos" em Mafra
28 de Fevereiro de 2017
10h26m
Jlmg
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