Doces videiras...
São doces as videiras
De cachos pendentes,
Regados de vinho.
Raiando ao sol.
Se cobrindo de cor
E de mel lá dentro.
Regalo dos olhos
De quem passa por baixo.
Cobrem ramadas.
Convidam à festa,
Searas de vinho,
Folhas doiradas,
Vindimas de Agosto.
Mafra, 2 de Março de 2017
15h13m
Jlmg
quinta-feira, 2 de março de 2017
Gestos largos...
Eram largos os seus gestos…
Imponente, sempre erecto,
Caminhava.
Gestos largos e passadas.
Pelas sendas e caminhos
Sinuosos da aldeia.
Um esboço de sorriso
No seu rosto.
Nobre.
Olhar adunco.
Importante.
Toda a gente o respeitava.
Tinha amigos em todo o mundo.
Não havia porta que se lhe não abrisse.
Um emprego.
Um favor.
Era só subir a escada.
Nunca um não.
Um abastado.
Doutor em leis.
Um dia morreu.
Que falta fez
O Padre Amorim!...
Bar “Caracol” em Mafra
2 de Março de 2017
11h28m
Jlmg
quarta-feira, 1 de março de 2017
Minhas mágoas...
Minhas mágoas...
Lancei ao vento minhas mágoas,
Eram tantas, dolorosas,
Enegreciam os meus dias.
Vinham de longe,
Das atrocidades que a vida longa
Me foi dando.
Adolescência, com carências,
E vontade de crescer.
Daquela guerra infame,
Se revelou inútil e sanguinária.
Tanta semente boa
Que foi ceifada.
As encostas alcantiladas,
Subidas a fogo,
Até os cumes.
As derrapagens escorregadias
Através das sendas,
Áridas e recheadas de salteadores.
As vitórias só aparentes
Em que nenhum ganho
Sobejou de bom.
Enfim.
Só foi seguro e consolador
O castelo de sonho
Que ergui onde criei
Quem, com saudades,
Me ficará chorando
Chegada a hora de partir...
ouvindo Martha Argerich ao piano tocando Schumann
Mafra, frente à Tapada, 1 de Março de 2017
8h17m
amanheceu cinzento
Jlmg
Lancei ao vento minhas mágoas,
Eram tantas, dolorosas,
Enegreciam os meus dias.
Vinham de longe,
Das atrocidades que a vida longa
Me foi dando.
Adolescência, com carências,
E vontade de crescer.
Daquela guerra infame,
Se revelou inútil e sanguinária.
Tanta semente boa
Que foi ceifada.
As encostas alcantiladas,
Subidas a fogo,
Até os cumes.
As derrapagens escorregadias
Através das sendas,
Áridas e recheadas de salteadores.
As vitórias só aparentes
Em que nenhum ganho
Sobejou de bom.
Enfim.
Só foi seguro e consolador
O castelo de sonho
Que ergui onde criei
Quem, com saudades,
Me ficará chorando
Chegada a hora de partir...
ouvindo Martha Argerich ao piano tocando Schumann
Mafra, frente à Tapada, 1 de Março de 2017
8h17m
amanheceu cinzento
Jlmg
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Na forja...
Na forja...
Bem atiço o fogo da fornalha.
A brasa aviva, mas não dá chama.
Bem atiço o fogo da fornalha.
A brasa aviva, mas não dá chama.
Saem chispas e faúlhas,
Logo apagam.
Sobram cinzas.
Dão poeira.
Passa o tempo.
Vem o frio.
O desânimo.
De repente, vem um raio
e incendeia.
Há clarões.
Brilham estrelas.
h´Há fenómenos.
Inexplicáveis.
Só a fé gera a força
e nunca acaba...
Ber "Sete momentos" em Mafra
28 de Fevereiro de 2017
10h46m
Jlmg
Logo apagam.
Sobram cinzas.
Dão poeira.
Passa o tempo.
Vem o frio.
O desânimo.
De repente, vem um raio
e incendeia.
Há clarões.
Brilham estrelas.
h´Há fenómenos.
Inexplicáveis.
Só a fé gera a força
e nunca acaba...
Ber "Sete momentos" em Mafra
28 de Fevereiro de 2017
10h46m
Jlmg
Tentativas falhadas...
Tentativas falhadas...
Esforço inglório.
Quando se almejam as distâncias
onde se adivinha o sucesso.
Por onde giram os nossos sonhos.
E há promessas de vitórias.
Se organizam arquitecturas
e se traçam estratégias.
Se aplicam as energias
e, com denodo esforçado,
se avança destemido.
Para, ao resto e ao cabo,
desaguar na ilusão.
Tanto esforço.
Tanta riqueza, em vão, se consumiu.
No fim de tudo,
só a lição...
Bar "Sete momentos" em Mafra
28 de Fevereiro de 2017
10h26m
Jlmg
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Chave à porta...
Chave à porta...
Como entrar no céu.
Depois de meses
sem dormir em casa.
Sabe tão bem!
O nosso cantinho,
com tudo à mão.
Foi bom partir.
Estar com os nossos.
Onde os pôs a vida...
Tão bom chegar.
Que bom sabor.
Pisar o chão,
Respirar a fundo,
Ao pé do mar.
Esperar o sol
com seu calor.
Ouvir falar
sem traduzir.
Saborear sabores
dos nossos frutos.
Do nosso azeite
e do nosso sal.
Foi bom partir.
É bom voltar...
Bar "Caracol" em Mafra
27 de Fevereiro de 2017
10h28m
Jlmg
Como entrar no céu.
Depois de meses
sem dormir em casa.
Sabe tão bem!
O nosso cantinho,
com tudo à mão.
Foi bom partir.
Estar com os nossos.
Onde os pôs a vida...
Tão bom chegar.
Que bom sabor.
Pisar o chão,
Respirar a fundo,
Ao pé do mar.
Esperar o sol
com seu calor.
Ouvir falar
sem traduzir.
Saborear sabores
dos nossos frutos.
Do nosso azeite
e do nosso sal.
Foi bom partir.
É bom voltar...
Bar "Caracol" em Mafra
27 de Fevereiro de 2017
10h28m
Jlmg
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Outra vez..
Outra vez...
Outra vez Mulhouse,
a caminho do sul.
Onde o sol é rei
e o mar é mar.
Onde a serra é branda
A terra é verde
e azul o céu.
Ali eu me entendo
porque sou da casa.
O cantinho de chão
que meus pés conhecem.
Se é bom partir,
muito melhor chegar...
Mulhouse, Ibis, 24 de Fevereiro de 2017
19h41m
Jlmg
Outra vez Mulhouse,
a caminho do sul.
Onde o sol é rei
e o mar é mar.
Onde a serra é branda
A terra é verde
e azul o céu.
Ali eu me entendo
porque sou da casa.
O cantinho de chão
que meus pés conhecem.
Se é bom partir,
muito melhor chegar...
Mulhouse, Ibis, 24 de Fevereiro de 2017
19h41m
Jlmg
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