sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Praia do Arraial...



84.- Praia do Arraial…

Barquinhos de tábua,
Dormentes na praia,
À espera de mar.
Contai-me as histórias
Guardadas debaixo da proa,
Madrugadas sem conta,
À luz do luar.
Sei que são versos,
Com rima à toa,
Amor de sereia,
Gemidos de vento,
Sulco de ondas,
Beijinhos de mar...
Dai-mos a ler.
Também quero sonhar!...

Berlim, 17 de Fevereiro de 2017
19h47m
Jlmg

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O manjar das ostras...

O manjar das ostras…

Se tornou habitual.
No Bar “Tombali” ,
Em Catió.

A sala de estar era uma esplanada
Por debaixo dum embondeiro.
Frondoso de sombra
Naquelas tardes quentes.

Por encomenda, a dada hora,
Por volta das quatro,
Aparecia uma bajuda,
O corpo luzente,
De açafate à cabeça.

Vinha cheio de ostras verdes,
Acabadinhas de apanhar.

Do bar, apenas eram as cervejas
E os pratos com metades de limão.

Cada um com sua faca própria.

Era um descascar sem fim.
Um sabor a mar
Naquele regalo único
Que nunca mais esqueceu…

Berlim, 16 de Fevereiro de 2017
15h35m
Jlmg

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Galeria dos apaixonados...



Galeria dos apaixonados…

Cada vez mais escassa a galeria dos apaixonados.
Dissiparam-se os horizontes.
A beleza se enevoou.
Perderam-se no infinito
Os ideais das formas.

Soam a falso essas miragens modernas
De falsas formas.
Estéreis e repelentes.

Foi-se a harmonia das combinações.
Só o estridente e dissonante agrada
Aos olhos cegos e ouvidos duros.

As cores se combinam em acres feixes.
Mais valeria a estagnação imóvel.

Ninguém contempla já o nascer do sol.
Só o ruído e o bombardear das luzes
A jorrar dos palcos.

Nunca mais reabrem os portões das artes…

Berlim, 16 de Fevereiro de 2017
8h53m
Jlmg

A terra ao longe...



A terra ao longe…

Cada vez mais a terra ao longe.
Vão-se apagando suas cores,
O verde, o rosa e encarnado.
Tudo vai desmaiando
Em cinza amortalhado.

Nela fica o meu mundo.
Meus campos e a minha praia.
Aquele baloiçar da vida
Que o sol desperta em cada dia.

O escorrer das águas puras
Pelas ladeiras abaixo,
Vencendo escarpas e penedias.

O cantar das toutinegras
Pelos beirais das moradias.
As chaminés acesas
Que só apagam na madrugada.

As silentes torres das igrejas,
Santuários de oração
Das almas todas ao divino Redentor.

Tudo eu levo bem dentro em mim,
Onde o vento me quiser levar…

Ouvindo a guitarra portuguesa

Berlim, 15 de Fevereiro de 2017
17h00m
Jlmg

Malvadas horas do desencanto...



Malvadas horas do desencanto…

Subir a ladeira escalvada e rude ao cume.
Vencer os desfalecimentos da luta do dia a dia.

Fazer toda a força,
A possível e a impossível,
E conseguir.

Desaguar na glória,
Do remanso da aposentação
E, cair na conta de que, afinal,
A união que havia era mera conjugação,
Para a tarefa que cabia aos dois.
E a ebulição da vida
Nunca deixou tirar a limpo.

É naufragar num amargo desencanto.
Já não há remédio...
Só a morte o pode desfazer.

Berlim, 15 de Fevereiro de 2017
9h03m
Jlmg






terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Assim nascem os passarinhos...



Assim nascem os passarinhos…

De biquinho aberto,
Mal saem da casca.
Querem já pronto
O pão com pão.

Soltam pius-pius.
A todas as horas.
Chamam os pais.
Nenhuma culpa tiveram
De ser o que são.

Têm asitas.
Vêem os pais.
Desejam voar.
E correr pelo chão.

A vida parada,
É chama sem fogo.
É espera da morte,
Não serve para nada.

Viver é cantar e voar,
Enquanto durar…

Berlim, 14 de Fevereiro de 2017
11h03m
Jlmg